24/09
Por: Fernanda Torres
Na: Sexta-feira

Existem verdadeiros milagres do cotidiano que a gente tende a não prestar atenção.
Recentemente, fui tomada pela vontade de ter uma horta de temperos em casa. Comprei umas mudinhas bestas e carreguei meu filho até o terraço para ele aprender os segredos da agricultura. Juntos, plantamos em vasos as Sálvias e Alfavacas, os Tomilhos e Oréganos, as Salsas e os Basílicos.
Em menos de duas semanas, os pés tomaram corpo. Já os usei em muitas receitas. Animada, investi em uma muda de Kinkam, a diminuta laranjinha japonesa. Repetimos a cerimônia e já apareceram as primeiras flores. Siderei.
Em uma visita ao hotel fazenda do meu sogro, o Rosa dos Ventos, passei embaixo de duas frondosas árvores de Flamboyant Amarelo, cujas favas estalavam, espalhando sementes pelo chão. Recolhi um punhado. Elas foram plantadas pelo avô do meu filho há vinte e sete anos atrás. Em casa, enterrei-as em terra preta, reguei com vontade e em menos de quinze dias, brotaram. Foi impressionante.
De dentro das cápsulas achatadas e hermeticamente fechadas, nasceram pequenas árvores inteiras. Uma aparição. Vou transplantá-las e, espero, um dia vê-las adultas.
A vida na cidade separa o homem da terra e, por tabela, de si mesmo. Pequenos rituais inspiradores, como uma horta doméstica, podem nos fazer retornar ao lugar ao qual pertencemos e trazer grande alegria. Experimente.










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