14/04
Por: Helio de La Pena
Na: Quinta-feira
Esta semana estreou o desenho animado Rio, dirigido pelo brasileiro Carlos Saldanha. O filme é uma declaração de amor à cidade. As paisagens estão deslumbrantes. O carnaval, o funk, as praias e seus brozeados popozões…até os pivetes que assaltam turistas no Pão de Açúcar são pintados de forma folclórica. Num dos grandes momentos, o casal chega ao Rio em pleno carnaval, a mocinha vê passar uma garota rebolante de biquíni e pergunta se é uma dançarina profissional. O galã, um ornitólogo brasileiro, explica: “Não, essa ali é a minha dentista!”
O Rio é daquele jeito? Claro que não… e claro que sim! É uma visão da cidade pra gringo ver sem sustos. Mas o carioca se enxerga ali também. Como o episódio dos Simpsons passado no Brasil, só que menos ácido. Mas a paixão pelo futebol, que faz o povo parar tudo para assistir a um jogo, é um exagero baseado em fatos reais. Nos Simpsons implicaram com o fato de o desenho mostrar micos nas ruas, mas cansei de vê-los passeando por aqui. No filme atual a crítica deve recair sobre a versão fantasiosa que se apresenta, uma alegoria que muita gente não atura.
O Rio é uma cidade cheia de contrastes, paradoxos e problemas graves. E também uma cidade bonita, alegre e descontraída. E não há uma relação de causa e efeito entre seus defeitos e suas qualidades. Se fosse assim, não haveria violência em cidades feias.
Fui ver Rio com minha família. Adoramos todos. Quero morar naquela cidade do filme. Será que um dia a gente chega lá? Torço para que o desenho animado estimule os cariocas a batalhar por esse sonho.







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