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07/04

Por: Helio de La Pena

Na: Quinta-feira

O Hélio e o Mar

Esta semana participei da 9a Travessia dos Fortes, uma prova de natação em que participaram 2 mil nadadores de todo o país. O percurso tem início no Forte Copacabana e vai até o Forte do Leme, num total de 3.500 metros. Fazer parte de uma festa como esta é excitante e divertido para quem gosta de nadar longas distâncias. Mas nada é mais relaxante do que umas braçadas sem compromisso numa praia deserta.



É isso que vocês vão ver neste vídeo. Gravei-o quando fui com alguns amigos à Prainha, na zona oeste da cidade. É uma região frequentada por surfistas e amantes da Natureza. Muitos cariocas desconhecem este paraíso. E raros foram aqueles que tiveram o privilégio de chegar a ilha de Peças, a pouco menos de dois quilômetros do litoral.


Quando era criança, meu pai sofria pra conseguir me botar numa aula de natação. E, se estiver lendo isso, vai descobrir agora que a maioria das vezes que me deixou no Olaria Atlético Clube, eu escapava assim que ele partia para o trabalho. Se soubesse que um dia aquelas lições me permitiriam nadar até a ilha de Peças, provavelmente teria me empenhado mais.


Mas nunca é tarde para correr atrás do prejuízo. Depois de barbado, me interessei em praticar o esporte. No início em piscinas, contando azulejos como todo mundo. Recentemente, passei a nadar no mar e o prazer se multiplicou. O importante não é competir e sim curtir a vida em águas salgadas.


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10/03

Por: Editor Brastemp

Na: Quinta-feira

A incrível praça que virou praia


Praia em praça pública? Sim, é isso mesmo! O arquiteto Arthur Casas já nos contou aqui sobre projetos culturais que valorizam espaços públicos. No caso de Belo Horizonte, uma ideia trouxe o clima da praia para uma praça dessa capital montanhosa e que não é banhada pelo mar.


A Praça da Estação é um dos lugares mais atrativos da cidade, famoso por ser um tradicional ponto de encontro. Foi na praça que a cidade nasceu, já que  era o local da velha estação central, e que  servia de “porto de entrada” no final do século XIX, durante a construção de Belo Horizonte.


Ao passar dos anos a praça passou pro um processo de revitalização, ganhando fontes e um museu num velho edifício. Em dezembro de 2009 um decreto quase atrapalhou tudo! Queriam transformar a Praça da Estação em um espaço vazio, com o argumento de garantir a segurança pública, devido ao grande fluxo de pessoas que frequentavam o local.


Um protesto veio à tona e a praça virou uma deliciosa praia -sem água salgada- mas com diversão e frescor garantidos, onde carros pipas, fontes e muita animação fizeram a tarde de verão dos frequentadores da praça muito mais divertida.


Depois de toda essa água, o decreto foi revogado. Mas como nem tudo é perfeito, eventos na praça agora só podem ser realizados pelo setor privado, mediante o pagamento de uma taxa. A praia secou, mas ficou a mensagem! Mais do que um movimento organizado, a praia na Praça da Estação levantou bandeiras como  heterogeneidade e democratização do lazer, tudo de forma despretensiosa e lúdica.


Sua cidade não tem praia? Que tal reunir os amigos e fazer uma no seu quintal? Vale pedir emprestada a piscininha do seu sobrinho! Tem vontade de fazer piquenique na praça do seu bairro, mas o mato está alto? Chame os amigos e organize um mutirão, para mudar aquele espaço. Também depende de nós transformar nossa cidade em um lugar mais inspirador!


Quer saber mais sobre este projeto? Veja como tudo aconteceu aqui.





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31/01

Por: Rosana Hermann

Na: Segunda-feira

O luxo da simplicidade

Durante as férias de janeiro fiquei vários dias na praia de Barra do Una, no litoral norte de São Paulo, que frequento há 17 anos. Encontrei um casal de amigos e fomos, meu marido, eu e eles dois, para um passeio de barco até as ilhas próximas da costa.


O barqueiro não era apenas um marinheiro, era o dono do barco, um homem de uns quarenta anos, magro, pele muito bronzeada e com um ar de contentamento incomum.


Antes de começarmos o passeio, meu marido perguntou se ele morava ali mesmo, na praia. Com um sorriso rasgado ele respondeu:


- Graças a Deus!


Ao longo do passeio pelas ilhas, intercalado por momentos inesquecíveis de mergulho, nadando junto com cardumes de peixes, ele foi contando sua história.


Há três anos ele largou tudo, uma vida estressante em São Paulo como empresário, 93 funcionários e 120 quilos e veio morar na praia. Disse que vive bem, que tem tudo, não precisa de mais nada.


Durante três dias por semana, ele mora na Ilha Montão de Trigo, onde 60 pessoas de uma mesma comunidade vivem isoladas. Quando ele sai, como hoje, a população cai para 59. Lá não há luz elétrica, apenas um gerador que funciona com coletor solar. Eles vivem da pesca e do que produzem. Contei a ele que vi uma foto de um cesto de cipó feito na ilha e ele me explicou que eles usam esses cestos dentro da água, para manter os peixes pescados bem vivos e disponíveis para as próximas refeições. As aberturas do cesto permitem que os pequenos peixes entrem para servirem de comida para os peixes grandes.


Fiquei pensando muito nisso. Para nós, workaholics, viver na praia é só uma ideia. Mas tem gente que consegue transformar essa ideia em realidade.


Quando perguntamos se ele voltaria a morar em São Paulo ele respondeu:


- Não…aqui eu tenho tudo…e como peixe todo dia…


Em alto mar, ele jogou uma isca numa vara de pescar. Pegamos um peixe. E ele o jogou de volta no mar, pedindo desculpas.


Não sei se foi o balanço do mar, o sol ameno, o vento constante, a visão do alto da pedra, a visita aos cardumes de peixes coloridos, mas fiquei pensando no luxo que é a natureza. E na beleza contida na simplicidade de viver feliz.



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