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12/04

Por: Helio de La Pena

Na: Quinta-feira

Sucesso fácil


Levanta a mão aí quem nunca ouviu Michel Teló cantando os versos:


“Delícia, delícia


assim você me mata


Ai, se eu te pego


Ai ai, se eu te pego”


É, ninguém se acusou. Nem aqui nem na Espanha, Itália ou Holanda, onde a música alcançou o primeiro lugar nas paradas. Cantada por Neymar, por Cristiano Ronaldo ao comemorar um gol no Real Madrid, não deixa dúvida, é um sucesso fulminante. Em apenas dois minutos e pouco, dez versos distribuídos em três estrofes, “Ai se eu te pego” (*) cola no ouvido. E, mesmo que você deteste, pode se pegar distraído num engarrafamento repetindo baixinho o mega hit.


Muita gente não suporta ritmos populares, tem aversão a canções que o povão ama e banaliza o trabalho com frases do tipo “é mais uma daquelas musiquinhas feitas pra fazer sucesso e vender milhões…” Fico me perguntando: se a pessoa considera tão fácil criar um grande sucesso, por que não o faz? Não é preciso um extenso vocabulário nem conhecimento de sofisticadas linhas melódicas. Depois, você pode abominar sua criação, contar para os amigos que só compôs aquela música porque estava desempregado, precisando de dinheiro e que nunca mais voltará a se curvar ao dinheiro fácil.


Na verdade, o buraco é mais embaixo. Soluções se revelam simples depois de prontas. Ninguém antevê o sucesso. Nenhum compositor se senta em frente a um papel em branco e diz: “agora, dá licença que vou criar uma música que vai render milhões.”. O sucesso é misterioso e, muitas vezes, composto de simplicidade. Dá a impressão de que qualquer um o faria. Não quero discutir a qualidade da obra, mas o intrigante elemento que ela tem de agradar a milhões de pessoas no mundo inteiro.


Sharon Acioly tem quarenta anos, era animadora de um quiosque em Porto Seguro, na Bahia. Já tinha inventado um hit da internet “Dança do Quadrado“. Nunca tinha visto Michel Teló mais gordo (nem mais rico). E, a partir de uma brincadeira coreografada pra movimentar as férias dos universitários, Sharon conheceu uma fama inimaginável.


A música é só um exemplo. O mesmo acontece no cinema : “Sabe aqueles  filminhos feitos pra atrair milhões de espectadores?” Ou nas artes plásticas: “Essa pintura daí, me desculpe, mas meu sobrinho de quatro anos faria igualzinho…”.


Ninguém sabe de que matéria é feito um grande sucesso. Mas, ainda que não seja a sua praia, é legal dar atenção a certos fenômenos. Encará-los com menos preconceito, menos arrogância. Inspirar-se e, quem sabe, tirar dali uma boa lição para um futuro triunfo.


(*) preferi apresentar uma versão japonesa do mega-sucesso, já que em português deve ter acabado de tocar num rádio perto de você.



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24/02

Por: Sarah Oliveira

Na: Sexta-feira

Bob Dylan vem aí…

Para mim, uma das melhores notícias musicais deste ano foi a confirmação das datas de shows do Dylan aqui no Brasil. E são várias. Isso aê, Mr. Tambourine Man, play a song for us… !! :)


Bob Dylan passa pelo Rio, Brasília, Belo Horizonte, São Paulo e Porto Alegre (nesta ordem, a partir de 5 de abril). E esta é a quinta vez que ele vem ao Brasil, sendo que a última foi em 2008.


Começo meu post de hoje falando de um dos meus músicos preferidos, por conta da turnê brasileira dele e também, pois, mês passado, participei de um programa de webradio que me interessou muito. Chama-se Dylanicas e é comandando pelo escritor, ator e roteirista Ismael Caneppele (meu grande amigo). Nele, Ismael recebe convidados especiais e os provoca a, digamos assim, expulsar o seu próprio “eu” e a se lançar em um devir Bob Dylan, enquanto escutam suas músicas preferidas dele. Nós (os convidados) podemos escolher qualquer música de qualquer fase da carreira do Dylan (folk, rock, jazz, gospel, etc…), e isso é um exercício delicioso, pois, ao mesmo tempo, vamos fazendo analogias de fases de nossa vida. Questões profundas que nunca imaginávamos abordar vêm ao encontro de questões que perturbaram, instigaram e/ou ainda fazem parte da trajetória musical, artística e pessoal do Dylan. É incrível.


Mesmo que você não tenha lido o Chronicles (livro que ele escreveu em dois volumes onde disserta sobre sua carreira e vida) ou qualquer texto, bio do Dylan, o programa te faz mergulhar no universo do cantor, enquanto você mergulha no seu próprio, através de perguntas bem conduzidas pelo Ismael.


O programa vai ao ar todo domingo, às 14h, e reprisa na segunda, às 21h, na Rádio Elétrica, e eles disponibilizaram um teaser de minha entrevista aqui.



Ah, e não poderia citar essa webradio sem comentar também do programa Insônia Elétrica (exibido toda noite de fevereiro, à meia-noite). É um dos programas mais subversivos que já ouvi. A montagem dele é muito peculiar e costurada de maneira genial com músicas escolhidas a dedo e sonoras, entrevistas e teasers aleatórios que muitas vezes não fazem sentido, mas que te fazem raciocinar por associação e, por isso, é divertido demais. Às vezes, rola um estranhamento ao ouvir um som de Nina Hagenn – pois é, Nina quase nunca toca nas rádios – entrecortados por falas que viraram hit no youtube.



PS: Para conhecer mais sobre o autor Ismael Caneppele, aqui um texto dele!


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25/08

Por: Helio de La Pena

Na: Quinta-feira

O som nosso de cada dia


O que você está ouvindo agora? Depende de onde você se encontra. Se está em casa tentando se concentrar, deve estar ouvindo uma dupla sertaneja direto do rádio da vizinha. Se estiver aguardando sua vez no dentista, está ouvindo qualquer música com arranjo cafona de violinos. Se acaba de entrar numa loja de moda jovem, não está ouvindo nada porque o volume do som bate-estaca não deixa. Mas se é daqueles que anda com fones enterrados nos ouvidos, vai carregando sua própria trilha sonora por onde quer que passe. E deixando muita gente intrigado: o que será que aquele cara tá ouvindo?


Cada ocasião pede um tipo de música. A gente sabe disso mas nem sempre confia nessa lógica: liga o iPhone ou similar na função aleatória e sai por aí. Ora está ouvindo um hip hop do 2Pac, dali a pouco passa para um João Gilberto gemendo baixinho uma bossa nova para logo depois entrar a Ivete pulando e mandando você tirar o pé do chão. O resultado é como se tivesse contratado um DJ bipolar para ambientar sua vida.


Repare no nervosismo das pessoas no trânsito. Muitas vezes o motivo não é o engarrafamento, e sim a trilha sonora errada. Não existe coisa pior do que ficar trancado horas no carro cercado de músicas que não aguenta mais ouvir, já que há seis meses se esquece de trocar a pilha de CDs.


Tem música que não cabe num aparelho de som. Por exemplo, os sambas-enredo das escolas. Como é possível confinar numa caixa acústica caseira trezentos componentes da bateria nota 10? Imagino aqueles caras suados se acotovelando ali dentro,  arrepiando o couro de pandeiros, surdos e repiniques, enquanto o modesto alto falante tem que se virar pra botar aquela zoeira pra fora. Por isso muitas vezes o gringo chega em casa empolgado com o cd das escolas de samba e não entende por que não entra em êxtase como quando estava na Sapucaí. Sim, também faltam as mulatas, mas isto é assunto para um outro post.


Existe música pra malhar, como o rock do Foo Fighters. Música pra namorar, como a black music mela-cueca. Música pra trabalhar – prefiro algo instrumental para evitar que uma letra se embaralhe com o que estou escrevendo. Música pra ouvir sozinho – o caso daquele funk que você falou tanto que odeia que agora não tem coragem de ouvir na frente dos outros.


Um amigo meu perdeu o emprego por errar de música. Andava insatisfeito com seu salário e marcou de conversar com seu chefe. No dia saiu de casa ouvindo uma seleção de rappers revoltados com o sistema. Chegou no trabalho quebrando tudo. Um bom DJ nessas horas é tudo!


OBS – O tema deste post foi sugerido por vocês, leitores: “Músicas que inspiram o dia a dia”. Espero que tenham gostado.


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12/08

Por: Sarah Oliveira

Na: Sexta-feira

You’re welcome, Thom Yorke


Bora falar de música boa. Eu hoje estou encantadíssima com The King of Limbs, o novo álbum do Radiohead que eu ganhei do querido David Barkan, diretor de fotografia do Viva Voz com Sarah, meu programa no GNT.


Barkan, assim como eu, é louco pela banda e outro dia passamos todo um intervalo de gravação falando sobre o In Rainbows, o álbum anterior deles. Ele me mostrou este link de 2008, que tem versões ao vivo lindíssimas desse disco, fora clássicos de outros. Foi o que me inspirou a escrever este post.


Fazia um tempo que eu não ouvia o disco e, por conta do lançamento e dos papos com o David, revisitei outros álbuns que sempre adorei e que fizeram parte dos meus anos 1990, como Ok Computer. Além dos lançados na minha época de MTV, como Hail to the Thief. Nem vou citar o disco de estreia da banda, Pablo Honey, pois faz tão parte de meu cotidiano, desde a adolescência, que seria preciso outro post para falar apenas dele. Foi em Pablo Honey que conhecemos talvez a música mais bonita das últimas décadas: Creep.


Voltando ao novo do Radiohead, queria relembrar aqui que uma das faixas do disco, Lotus Flower, virou hit na internet por conta da “dancinha gênia” do Yorke no clipe.



E ainda destaco duas músicas: Codex e Feral. Mas talvez a que eu mais goste seja a que foi composta durante a concepção de The King of Limbs, Supercollider, que acabou sendo lançada como single.



Nela, Thom Yorke diz: “I am different. I am welcome. I am open. I am coming”. (“Eu sou diferente. Eu sou bem-vindo. Eu sou aberto. Eu estou a caminho”).


E a gente agradece. Muito. :)


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15/07

Por: Sarah Oliveira

Na: Sexta-feira

Climax lá em casa


Dividindo com vocês o que tenho ouvido ultimamente…


Ouvi o disco e fui ao show de estreia do CD Climax, da Marina Lima . Adoro isso da Marina voltar com tudo e logo já mandar o recado (no disco, ela faz isso ao lado de Adriana Calcanhotto): “só não me venha mais com o amor”, diz o refrão da letra de mesmo nome.


Como é bom Marina e seu rock n’roll profundo, estiloso, sensível, meio dark e explosivo estarem por aí. Ainda mais por conta desta onda de músicas “fofinhas” demais, as quais eu de fato acho, em sua maioria, de uma qualidade notável. Mas é que, sendo bem sincera, Marina voltar com letra e melodia tocantes e atuais, com aquele punch de sempre… dá um vigor inexplicável.


Marina é maestrina total. Na companhia de Edu Martins (baixo, guitarra, teclado e vocal) e Alex Fonseca (percussão, bateria e programações), percebe-se a sintonia perfeita entre eles. Na verdade, acho que eu senti um gostinho de consagração ao ouvir o disco. Vê-los no palco só veio afirmar a sensação.


Climax traz músicas novas e conta com várias participações especiais (eu destaco a de Karina Buhr), mostrando que o legado de Marina para a música brasileira é incontestável. No show, ela canta ainda muitas músicas dilacerantes das antigas, como Fullgás, Veneno, À Francesa, entre outras.


Deve passar pela sua cidade, então fique esperto que é imperdível. Mesmo!


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04/07

Por: Pedro Tourinho

Na: Segunda-feira

Musica Digital

Impossível falar de internet e não falar de música!


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Paradoxal: as novas tecnologias digitais, que há alguns anos eram os grandes vilões da indústria fonográfica, hoje já são responsáveis por um crescimento de 35% no seu faturamento total. Isso não é pouco.


O jogo virou quando as grandes gravadoras entenderam que as pessoas baixavam músicas ilegalmente na internet porque simplesmente esse era o único jeito de se obter músicas na internet. Na época, não existia nenhuma ferramenta eficiente e viável de compra ou consumo de músicas. Mas daí veio o iTunes, que institucionalizou o formato digital de músicas, e tudo mudou.


Mas podemos ir além. Muito mais do que mudar o jeito com que obtemos nossas músicas preferidas, a internet mudou também o jeito como nos relacionamos com a música como um todo. Alguns exemplos:


Antigamente, para descobrir uma banda nova, ou um novo ritmo, dependíamos do nosso círculo de amigos, das rádios da região ou das revistas e zines especializados que circulavam pelos colégios ou universidades. Depois de ter as indicações, muitas vezes tínhamos que ficar com o rádio ligado e gravador a postos para guardar a música numa fita cassete assim que ela tocasse. Era divertido, mas era difícil.


Hoje temos ferramentas como o shazam que, instalado no seu smartphone, permite que você descubra todas as infos de uma música que você acidentalmente ouviu na rádio ou numa festa, compre esta mesma música e ainda compartilhe com seus amigos no tempo de um clique. Temos também sites como o We Are Hunted, que acompanha todas as discussões em blogs, twitters e demais redes sociais sobre música e prepara um mural com as mais faladas, ao invés das mais tocadas.


Outra grande mudança foi o surgimento das playlists. Sim, sempre houve playlists, mas os novos aplicativos deram um caráter completamente diferente a elas. Tanto pela facilidade de montá-las de forma diferente com variedade infinita de músicas, assim como pela forma de compartilhá-las. Veja, por exemplo, esse site, o StereoMood que classifica e executa músicas a partir do seu estado de espírito, como já foi falado aqui no blog.


Enfim, como não poderia deixar de ser, novas formas de consumir música criam também novas formas de se relacionar com a música, e se sempre foi impossível falar de internet sem falar de música, hoje é também impossível falar de música sem falar de internet.


Boa semana!


@PedroTourinho


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