O que importa…

O mundo anda meio chato, cheio de pudores e mau humor, as pessoas parecem se levar mais a sério do que o normal. A cada dia surgem mais leis proibindo isso ou aquilo, na gastronomia sobram especialistas de todas as áreas: os comilões são gourmets, bebedores “sommeliers” e qualquer cozinheiro se autodenomina chef master super internacional.

Tem também os movimentos e bandeiras gastronômicas que se espalham por aí, é a nova cozinha brasileira pra lá, chefs ecologistas pra cá…  Surgem novos engajamentos todo dia, como o  locavorismo, aquele em que o cozinheiro só pode trabalhar com ingredientes produzidos a no máximo x km de distância do restaurante. O “x” varia, pode ser 300 km por exemplo, a ideia é utilizar produtos frescos e poupar combustível da distribuição.

Tudo muito bacana se não fosse celebrar o óbvio. Utilizar produtos frescos, preocupar-se com a sustentabilidade e com o impacto das ações no meio ambiente e na sociedade não é mais virtude de um chef, muito menos precisa ser um movimento organizado. É o mínimo que se espera de qualquer profissional sério atualmente, é como se um médico fosse festejado por nunca ter matado nenhum paciente.  Dá pra entender?

Escrevo esse post para lembrar vocês e até para me lembrar que comida não pode ser levada sempre tão a sério. O prazer, depois da nutrição, é claro, é o que nos leva a comer.

Quando escolhi trabalhar como cozinheiro foi por um motivo simples, queria fazer comida gostosa e tornar as pessoas felizes. Não estava preocupado em passar mensagens, exibir minha técnica ou habilidades. O cozinheiro acima de qualquer coisa tem que ser um cara generoso, e no fundo, mesmo que pareça meio louco o que vou dizer, a única coisa que importa é comer e ser feliz.

Estilo clássico: use e abuse…

Se você nunca parou para pensar na quantidade de detalhes necessários para configurar o real estilo clássico, esta é uma ótima oportunidade. Tente visualizar: molduras de gesso, luminária pendente, lustre de cristal, porta almofadada, cadeira do tipo medalhão, espelho com moldura trabalhada, papel de parede, poltronas de época, estante de livros, obras de arte, tapete oriental, painéis de madeira, vasos ornamentais, mobília de madeira nobre, acabamento de mármore, mesa de apoio, pés trabalhados, cortinados longos, padrões adamascados, porcelana, prata, candelabros, bustos, e mais uma série deles, que não enumerei aqui.

Por esse estilo nunca ter caído de moda, há quem o considere facilmente reconhecível. Mas a bem da verdade, para ficar elegante, o autêntico estilo clássico, que tem a sua origem na arquitetura grega e romana, precisa, além de espaços amplos e altos para comportar o mobiliário antigo, objetos de decoração igualmente imponentes. Exige dinheiro, muito dinheiro, e se você não pretende investir muito, mas aprecia o estilo, continue atentando aos detalhes. Pois esse conhecimento pode ser imprescindível para entrar num outro estilo, o neoclássico, apenas dando ares clássicos à decoração que, possivelmente, você já tem.

A ideia é mesclar móveis de linhas clássicas com materiais contemporâneos, e esse mix é o que há de mais atual. Além de suavizar a atmosfera formal, essa opção atualiza o estilo clássico na decoração. Uma sala com peças novas de design moderno, por exemplo, alcança glamour com peças clássicas pontuadas no ambiente. Quem acompanha os meus trabalhos pode já ter notado que gosto muito de compor peças atuais com peças antigas de épocas diversas. E, dentre essas peças, lanço mão muitas vezes do clássico por considerar que esse estilo traz identidade e sofisticação a qualquer ambiente, principalmente num espaço mais clean, onde prevaleça o branco, o creme, o cru, o bege ou até mesmo diferentes tonalidades de castanho.

Agora convenhamos, é impossível deixar passar despercebido o estilo clássico revisitado e, para isso, basta um clássico ou outro que esteja num canto empilhado da casa, e de uma dose, mesmo que mínima, de criatividade e ousadia. Depois e só investir em padrões  fortes e nas cores berrantes na hora de laquear a madeira desgastada, revestir as almofadas e cobrir toda a parede. Não seja modesto na hora de unir os diferentes estilos e cores no mesmo ambiente, até porque quando se trata desse estilo, economia, seja no âmbito que for, não tem vez. Espero que possam se inspirar nas minhas sugestões, e quem sabe, em breve, eu possa me inspirar no bom gosto e criatividade de vocês…

Para lindas fotografias, basta inspiração

Nós adoramos a fotografia! Afinal, ela é uma fonte constante de inspiração, beleza e poesia em imagens. Já mostramos aqui alguns incríveis exemplos de como a fotografia pode nos surpreender e trazer novos olhares e significados, como no trabalho do jovem Caleb, que vê o mundo através de bolinhas de gude (http://www.assimumabrastemp.com.br/2012/03/a-vida-numa-bolinha-de-gude/), e a série Hungry Planet (http://www.assimumabrastemp.com.br/2012/01/voce-e-o-que-voce-come/), dos fotógrafos Peter Menzel e Faith Aluizio.

Foto da série “A Vida numa Bolinha de Gude”, de Caleb Tenenbaum

Caleb, por exemplo, não tinha nenhuma experiência em fotografia e fez imagens criativas e belíssimas. E agora descobrimos e compartilhamos com vocês o trabalho de outra fotógrafa americana com uma história de vida inspiradora. Amy Hildebrand é mais velha, e fez graduação em fotografia na faculdade, mas teve que superar um enorme obstáculo para chegar às lindas fotos que vemos aqui: ela nasceu praticamente cega devido ao albinismo, uma doença genética.

Amy passou por diversos tratamentos na infância e adolescência e conseguiu recuperar cerca de 20% da visão. Hoje, consegue enxergar cores, formas e sombras. Mas sua sensibilidade aguçadíssima não depende da visão acurada, como você pode ver pelas imagens carregadas de poesia e sentimento, com um uso muito especial da luz, que a fotógrafa reúne no seu blog, With Little Sound (http://withlittlesound.blogspot.co.uk/).

Ela criou o blog há quase três anos, com o compromisso de registrar e postar uma foto por dia, até chegar a mil imagens, e está se aproximando do objetivo, já no número 931!  Uma vez por mês ela escreve um texto, refletindo sobre sua vida. Num deles, diz: “Eu quero me refletir como uma só pessoa; alguém que vai crescer, ter filhos, envelhecer e morrer. Nem todos os meus dias serão bons, nem todas as minhas fotos serão boas, mas elas irão me refletir”.

Muito inspirador, não? Há tanta beleza no mundo, e nós que temos uma visão normal às vezes nos esquecemos de ver, mas Amy nos mostra que apreciar as inspirações à nossa volta só requer sensibilidade. E isso ela tem de sobra! Inspire-se com essas lindas imagens e as quase mil do seu blog, pois a inspiração muda tundo, e a vida fica assiiim… uma Brastemp! =)

As inspirações das cores na gastronomia

Nós adoramos todas as cores! E quem não gosta? Quanto mais colorido, mais o mundo fica alegre e inspirador. O João Armentano, outro apaixonado pelas cores, vive dando dicas (http://www.assimumabrastemp.com.br/2011/06/casa-vestida/) e mais dicas (http://www.assimumabrastemp.com.br/2011/09/era-uma-casa-muito-engracada/) de como deixar sua casa mais viva e alegre usando e abusando das cores, em estampas, na cozinha e nos móveis, paredes, tapetes (http://www.assimumabrastemp.com.br/2012/02/moro-num-pais-tropical/)….

A Brastemp inova o cenário dos eletrodomésticos, hoje dominado pelo branco e o inox, resgatando cores fortes, como o vermelho, amarelo e preto, em sua família Retrô (http://www.assimumabrastemp.com.br/2011/01/familia-retro/) e na linha All Black (http://www.assimumabrastemp.com.br/2010/11/preto-que-te-quero-preto/), para deixar nosso dia a dia mais colorido.

Fonte

Na culinária também quanto mais cores, melhor. Além de deixar o aspecto de um prato mais bonito, as cores dos ingredientes indicam seus benefícios para a saúde. Os alimentos vermelhos, como tomate, caqui e frutas vermelhas, tem licopeno, um antioxidante que pode prevenir certos tipos de câncer. Os de cor laranja ou amarelo (cenoura, abóbora, mamão) tem beta-caroteno, também antioxidante, além da vitamina B-3. Os azul-arroxeados, como as uvas, ameixa e beterraba, possuem ácido elágico, que retarda o envelhecimento. A clorofila das folhas verdes, como agrião, rúcula e couve, tem ação antibacteriana e ajuda a retirar toxinas do organismo.

Fonte

Todo designer e quem trabalha na indústria gráfica conhece a Escala de Cores Pantone (http://design.blog.br/design-grafico/o-que-e-pantone). Com um código que indica a mistura entre as cores básicas CMYK (Ciano, Magenta, Amarelo e Preto), a escala Pantone permite criar milhares de cores e tons para impressão. E foi a inspiração para a diretora de arte francesa Emilie de Griottes, apaixonada por cores e pela gastronomia, que produz o blog Griottes (http://www.griottes.fr/), em sua série “paletas culinárias”, criada para a revista francesa de gastronomia Fricotes.

Fonte

São tortinhas feitas com frutas ou outros alimentos, cada uma representando uma cor da paleta Pantone, identificada na base de massa da torta, com corante alimentício sobre a crosta de açúcar de confeiteiro. Cereja, tomate, limão, cenoura, banana, emprestam suas cores características para essas criações de comer com os olhos. E passeando pelo blog de Emilie, você vai achar um monte de fotos lindas de criações culinárias que abusam das cores e formas.

Fonte

Muito bacana, não acham? Agora que estamos entrando no outono, estação que traz novos tons e matizes, que tal prestar mais atenção às cores em nossa volta? Um mundo mais colorido nos inspira e deixa a vida assiiim… uma Brastemp!

Com design inspirador e divertido, sapatos se transformam

Já falamos muito por aqui como o design e suas inspirações podem transformar para melhor todo tipo de coisa. O design não só facilita nossa vida (http://www.assimumabrastemp.com.br/2011/12/como-o-design-facilita-nossa-vida/) como a deixa mais cheia de beleza, elegância, inspiração e bom humor, não é mesmo? Com um design criativo, objetos comuns podem extrapolar sua função e transbordar inspirações. Sapatos, por exemplo.

Nós sabemos que não há mulher (e muitos homens também!) que resista a um belo par de sapatos, e já falamos sobre uma ação social inspiradora (http://www.assimumabrastemp.com.br/2011/12/descalco-nao-se-vai-longe/) baseada no universo dos calçados  (). Sapatos são objetos tão corriqueiros do nosso dia a dia que nem paramos para pensar no seu design. Mas dentro deste universo, a criatividade do designer é o limite. Por isso nos surpreendemos ao ver como a mente criativa pode inspirar e transformar um simples par de sapatos, que usamos para nos movimentar, em verdadeiras obras de arte, com o trabalho do designer de sapatos israelense Kobi Levi (http://kobilevidesign.blogspot.com.br/).

Ele já trabalhou para empresas da Itália, China e Brasil criando sapatos comerciais e convencionais. Mas é seu trabalho autoral e impregnado de bom humor e criatividade que vamos mostrar para vocês. Levi transforma sapatos em pequenas obras de arte, se inspirando nas mais diversas formas e cores.

Sim, os sapatos do designer israelense mais parecem esculturas, mas podem ser usados nos pés normalmente. “No meu design artístico de calçados, o sapato é minha tela. O gatilho para criar uma nova peça vem quando uma ideia, conceito ou imagem me vem à mente. A combinação da imagem e do calçado cria um novo híbrido e o design/conceito ganha vida“, explica Levi.

Muito bacana, não? Vocês podem ver toda a linha de sapatos de Levi no seu blog (http://kobilevidesign.blogspot.com.br/) e no Facebook (http://www.facebook.com/KobiLeviFootwear), e se quiser comprar algum deles pode entrar em contato através do e-mail (contact@kobilevidesign.com). Arte, beleza, humor… Tudo isso transforma coisas comuns do nosso dia a dia, como sapatos, em fonte de inspiração, e deixa nossa vida assiiim… uma Brastemp!

Arte nos bueiros!

Há alguns meses fizemos um post sobre Street Art (http://www.assimumabrastemp.com.br/2011/11/street-art-inspiracao-para-o-dia-a-dia/), mostrando trabalhos inspiradores de artistas de rua que deixam o nosso dia a dia mais colorido. O post foi bastante “curtido”, mostrando que nossos leitores se identificam com a arte de rua, e por isso fomos atrás de outros exemplos legais da street art!

E encontramos no blog Criatives o incrível trabalho da dupla 6emeia (http://www.criatives.com.br/2012/02/artes-em-bueiros-de-rua-por-6emeia/), que transforma por meio da arte os bueiros, postes e outros elementos das ruas em divertidas imagens nas quais essas peças do mobiliário urbano ganham vida.

O 6meia (http://www.6emeia.com/)é formado pelos artistas Anderson Augusto, o SÃO, e Leonardo Delafuente, conhecido como Delafuente. Moradores da Barra Funda, antiga zona industrial de São Paulo que hoje é o reduto de novos artistas, eles têm uma obra marcada pela relação com a cidade, deixando mais colorida e lúdica a paisagem urbana.

A popularidade da arte urbana mostra que nós que vivemos nas grandes cidades ansiamos por um cotidiano com mais arte, cor, vida e inspiração, que transformam a rotina entediante em fonte de alegria e arte. Inspire-se!

Moro num país tropical!

Não que eu tenha me dado conta disso só no Carnaval, mas essa data festiva aparece todo ano para me lembrar do quanto o Brasil é bonito por natureza. Nesse Carnaval em especial eu fiquei atento às ruas, as avenidas e aos blocos, e as cores alegres e divertidas só me encheram de energia.

Por outro lado, essa energia toda só aguçou a minha hiperatividade. Passei os quatro dias de Carnaval com as mais variadas cores pulando diante dos meus olhos e, antes que toda essa combinação caísse no samba do crioulo doido, resolvi me inspirar e organizar antes de levar essa energia toda para dentro de casa:

Já que o amarelo inunda a casa de luz e estimula a criatividade, o reservei para os espaços escuros, pois potencializa a luz natural.

Aprendi que o forte do laranja é ser fonte de energia, que personaliza cada canto. O vermelho, envolvente, mostra personalidade. Enquanto os verdes claros têm um tom mais atrevido, os escuros se revelam mais sofisticados. O azul, relaxante e tranquilo, ajuda a conciliar o sono. O lilás e o rosa dão um toque ingênuo e casam muito bem com o branco. Já o branco, além de transmitir paz, multiplica a luz e o espaço. O creme e bege passam serenidade e realçam a decoração. Tons terra são muito quentes e ajudam a criar um ambiente natural. O preto é a ausência de cor, então, o ideal aqui, é que ele seja utilizado apenas como recurso para realçar outras cores.

O ser humano é sensível e reage às cores de várias maneiras. Eu tenho a minha em especial, que ao longo desses meses vocês já devem ter conhecido, mas resolvi arriscar e ousar.

Quem quiser me acompanhar fique à vontade, basta estudar a sua paleta de cores e dar o primeiro passo para analisar os tons que mais se aproximam do objetivo do seu projeto.

Quem já possui peças coloridas pode ter o espaço todo pintado de branco, revestir o sofá com uma capa branca e ter, nos detalhes, as cores. Mas para quem já tem peças maiores, como por exemplo, sofás ou estantes em tons neutros, poderia então ousar na cor das paredes e também do teto. Por que não?

Se a coragem de ousar aumentar, abuse e deixe absolutamente tudo colorido, desde as peças maiores até os detalhes. Não se esqueça de que cada cor traz uma energia especifica para cada ambiente, então entre no ritmo, use a sua sensibilidade para percebê-las em cada detalhe.

Renovar as cores de um ambiente nos traz sensação de novidade, liberdade e até, certa dose de ousadia. Veja que beleza se deixar levar pela alegria:

De olho na rua

Lembro com saudade,de ficar olhando pela janela da sala de aula do meu colégio, procurando pela tia que vendia uvas carameladas. Era importante saber exatamente onde a tia da uva estava antes de acabar a aula. Seus espetinhos de uva sem semente, envoltas em caramelo colorido, seriam disputados por uma legião de molequinhos famintos, e conseguir uma boa posição na fila nunca foi má ideia.

O tempo passou e continuo de olho na rua. Estou sempre à procura de alguma coisa para comer, a comida de rua é uma parte fascinante da gastronomia e pelo fato de ser rápida e fácil de comer, muitas vezes é um bom resumo da gastronomia de um lugar. Imagine algo que condense melhor a ideia de comida baiana do que um bom acarajé. Acontece o mesmo no Norte com o tacacá ou mesmo em NY com o hot dog de rua.

Aqui em São Paulo o dono da rua é o pastel e seu fiel companheiro é o caldo de cana. Toda feira livre que se preze tem que ter um bom pastel, e não se engane, pastel é coisa seria. Um bom pastel tem que ter massa crocante, leve e em perfeita harmonia com o recheio, pastel gigante e lotado de recheio é insulto à tradição.

Comida de rua exige cuidados de higiene e manipulação como qualquer tipo de comida, por isso é importante que a prefeitura e vigilância sanitária fiscalizem e orientem essa legião de chefs de cozinhas portáteis. Mas isso não quer dizer punir e combater a comida ambulante, muito pelo contrário. Um governo inteligente sabe que esse tipo de comida faz parte do patrimônio cultural da cidade, deve ser respeitada e incentivada.

Confesso que vira e mexe me pego com a ideia de montar um trailer e viajar pelo Brasil fazendo comida. Seria bacana cozinhar todo dia algo diferente, utilizando o produto da região e adaptando à praticidade que a comida rápida exige. Quem sabe não tiro umas ferias e realizo esse projeto! Enquanto esse dia não chega, continuo olhando pela janela a procura da próxima refeição. Aliás, esse papo ta me dando fome, vou ali na rua comer uma tapioca e já volto!

Descalço não se vai longe

Em nossa série sobre pessoas que atuam por um futuro melhor o bem estar das crianças sempre vem à tona, seja pela educação, no trabalho de Tião Rocha (http://www.assimumabrastemp.com.br/2011/11/tiao-rocha-por-uma-educacao-mais-inspiradora/), ou da nutrição, com a atuação de Gisela Solymos (http://www.assimumabrastemp.com.br/2011/11/futuro-inspirador-se-faz-com-criancas-bem-nutridas/). Temas fundamentais e inspiradores que precisam ser divulgados.

Um exemplo é Blake Mycoskie, um jovem mochileiro americano, que visitou a Argentina em 2006, e viu a triste realidade de crianças descalças e miseráveis.

Andar descalço na praia ou pisar na grama fofinha com os pés no chão dá uma sensação de liberdade, não é? Mas imagine ter que andar sem sapatos no asfalto quente, numa trilha árida, numa rua suja ou num inverno congelante. Além da exposição a ferimentos e doenças, estar descalço priva as pessoas de se deslocarem longas distâncias. Isso inclui ir à escola, ao trabalho, ao médico ou ao circo. E milhões de pessoas, crianças principalmente, passam por isso diariamente.

E pensando nisso, que Blake Mycoskie, criou a TOMS Shoes (http://www.toms.com/), com uma proposta simples, modificadora e surpreendente: a cada alpargata (http://pt.wikipedia.org/wiki/Alpargata) vendida, um calçado é doado para uma criança necessitada. Quando os pequenos vão crescendo, são providenciados novos pares, para que eles nunca mais andem por aí de pé no chão. Em abril deste ano a marca promoveu a ação “Um dia sem sapatos“, que convidava as pessoas do mundo todo a saírem descalças e sentirem na pele que não é nada fácil perambular de pé no chão por aí. Figuras como Jonas Brothers e Demi Moore colocaram os pezinhos de fora em prol da causa.

Blake Mycoskie com crianças beneficiadas pelo projeto – Fonte

Inspirados na TOMS Shoes, europeus lançaram a marca Twins for Peace que também foi criada em torno da ideia de calçar pessoas carentes e vender um produto socialmente responsável. Os gêmeos em questão são Maxime e Alexandre Mussard, herdeiros da Maison francesa Hermès. O projeto também doa um par de sapatos para cada outro que é vendido, mas mergulhou mais fundo na sustentabilidade. Seus tênis, com estilo simples e elegante, são produzidos em uma empresa familiar em Portugal, com tecido italiano e couro, e suas embalagens são feitas com material 90% reciclado. Todas as coleções da marca são associadas com um projeto social em países em desenvolvimento. E para fomentar a economia local, o par que será doado é produzido por uma fábrica da região beneficiada, e desenvolvido de acordo com as necessidades da criança que vai recebê-lo.

A Twins for Peace (http://www.twinsforpeace.com/), veio ao Brasil em 2009, e doou centenas de sapatos para crianças da favela São Remo, em São Paulo. A boa notícia é que o projeto volta ao país, agora com loja no Shopping Cidade Jardim, na capital paulista, e vai beneficiar a Fundação Gol de Letra, que atua na capacitação de jovens em situação de risco social. O ex-jogador Raí, que é diretor da Fundação, foi escolhido para ser embaixador da marca por aqui.

Crianças brasileiras posam com tênis doados pela Twin for Peace – Crédito: Anna Skladmann

Iniciativas como esta fazem crianças livres para pisar onde bem entendem. E a gente espera que faça você sentir vontade de empreender algo que seja bom para os outros e, consequentemente, inspirador para você e para o mundo!

Como o design facilita nossa vida?

Vivemos em um mundo imerso em design. Olhe à sua volta, para os objetos que você usa no dia a dia, nos seus eletrodomésticos, móveis da casa, seu carro… Eles só são desse jeito, pois um designer (ou um grupo de designers) quebrou muito a cabeça para criar um desenho que fosse ao mesmo tempo estético e funcional, facilitando sua vida e agradando ao seu senso de beleza e elegância. Essa é a essência do design. Pode ser design industrial, design de produto, design gráfico, web design. O que define esse termo é a preocupação em aliar estética e funcionalidade.

Após a Segunda Guerra Mundial houve um “boom” nos produtos para consumo. Eletrodomésticos e eletrônicos invadiram as casas. O Fusca, criado para ser o “carro do povo”, concretizou sua função na década de 50, e seu design icônico é facilmente reconhecido até hoje. A edição dos jornais passou a hierarquizar e separar as notícias, usar fotos e infográficos para facilitar a leitura. A ergonomia começou a ser valorizada no design de móveis. Nos anos 60 o predomínio das linhas retas foi desafiada pelo design curvo e orgânico, como nas cadeiras Panton, criada por Verner Panton em 1960, em plástico injetado, e Ball Chair, desenhada por Aarnio Eero em 1963. No Brasil, o arquiteto Sérgio Rodrigues (http://www.assimumabrastemp.com.br/2011/08/retrato-de-um-pais/), que já mostramos aqui no blog, é uma referencia no design da época.

O alemão Dieter Rams fez escola no design industrial da década de 1960 com seus produtos hiperfuncionais e minimalistas criados para a empresa de eletroeletrônicos Braun, como rádios e toca-discos que radicalizaram o conceito de “menos é mais”. Não por acaso, ele é a grande influência de Jonathan Ive, da Apple, que criou produtos que revolucionaram o design da nossa época, como o iPod e o iPhone.

Rádio projetado por Dieter Rams para a Braun

E o primeiro iPod, criado por Jonathan Ive

A semelhança não é por acaso! Engana-se quem acha que o trabalho do designer é ter uma ideia genial, desenhá-la no papel e enviar para ser produzida. Todo o processo de desenvolvimento de um novo produto inclui muita pesquisa de referências, dezenas de esboços que são descartados, muitas reuniões, protótipos, testes e possíveis mudanças antes de algo chegar às lojas. Imagine quanto trabalho esteve envolvido no desenvolvimento do refrigerador Inverse da Brastemp (http://www.assimumabrastemp.com.br/2011/11/tudo-a-mao-com-a-brastemp-inverse/), com seu design revolucionário que inverteu de lugar o freezer e a geladeira? Uma ideia simples, mas que necessita muita mão de obra até chegar no produto final.

Recentemente mostramos aqui produtos para casa com ideias simples e geniais para facilitar nossa vida, exibidos na mostra espanhola Habitat Valencia (http://www.assimumabrastemp.com.br/2011/09/inspiracao-e-criatividade-na-sua-casa/). Veja outros exemplos de como o design pode tornar nosso dia a dia muito mais prático, reunidos no site DesignBeats (http://designbeats.wordpress.com/).

O design está em todos os lugares! Comece a prestar atenção nos objetos que facilitam sua vida e agradeça aos designers por encher nosso mundo de inspirações!