São Paulo recebe exposição “Pergaminhos do Mar Morto: um legado para a humanidade”

A exposição Pergaminhos do Mar Morto: um legado para a humanidade chegou à Estação Pinacoteca, em São Paulo, em 26 de novembro. Os pergaminhos são considerados uma das mais sensacionais descobertas arqueológicas do século XX. Eles são as escrituras mais antigas já descobertas da Bíblia do Velho Testamento e mostram que os textos lidos hoje já estavam escritos há dois mil anos atrás. Além de interesse arqueológico e histórico, a exposição possui forte interesse cultural, religioso e educacional.

Junto aos preciosos fragmentos originais dos Pergaminhos do Mar Morto serão apresentados 77 artefatos arqueológicos. É a primeira vez que esse acervo está sendo apresentado na América Latina. Na escala inicial no Brasil, no Museu Histórico Nacional, no Rio de Janeiro, a Exposição foi vista por mais de 150 mil visitantes em dois meses. Foi um dos maiores públicos que o museu já recebeu e a espera na fila chegava a duas horas nos dias de maior procura. Vale citar que o público era o mais heterogêneo possível, com pessoas de todas as idades, credos, profissões e classes sociais, incluindo pessoas que nunca haviam estado em museus anteriormente.

Os objetos e pergaminhos datam de cerca de dois mil anos, sendo, portanto contemporâneos a Jesus. Essa foi uma época de acontecimentos cruciais na cristalização de duas importantes religiões monoteístas, Judaísmo e Cristianismo. Eles foram encontrados casualmente por beduínos, nas cavernas de Qumram, próximo ao Mar Morto, em Israel, em 1947. Algumas peças serão expostas em vitrines climatizadas individualmente, devido à sua fragilidade. Entre as escrituras, destaca-se a mais antiga Bíblia do Velho Testamento já encontrada e vários textos sobre a vida comunitária dos Essênios, uma seita que se isolou nas proximidades do Mar Morto e cujas práticas foram absorvidas pelo nascente Cristianismo.

Diversas polêmicas acompanharam a descoberta dos Pergaminhos do Mar Morto

Como eles teriam sobrevivido por dois milênios? Seriam verdadeiros e realmente tão antigos? Quem os teria escrito? Teriam sidos os habitantes de Qumran ou teriam sido trazidos de alguma biblioteca de Jerusalém? Quem habitava Qumran? Seriam os Essênios? Quem eram eles? Por que os Essênios teriam escolhido esse lugar tão remoto e de clima tão severo para viver? Qual era o relacionamento entre os Essênios e o Judaísmo da época? Qual era o relacionamento dos Essênios com a pregação de Jesus? Teria Jesus vivido entre os Essênios? Teria sido Jesus um Essênio? E quanto a João Batista? Seriam os Essênios os primeiros cristãos? Ou seriam uma ponte entre Judaísmo e o Cristianismo? Existiam textos não-oficiais considerados sagrados e tradições bíblicas paralelas à canônica? Por que os pergaminhos foram escondidos em cavernas? Várias dessas perguntas ainda não foram respondidas.

Após o início dos estudos pelos especialistas, nos primeiros anos após a descoberta, a demora na publicação dos seus textos e informações resultou em diversas teorias conspiratórias. A principal delas dizia que o Vaticano não queria liberar os textos dos pergaminhos, pois eles poderiam trazer à tona fatos novos em relação a Jesus e à criação do Cristianismo. Ou seja, eles poderiam mostrar que a história não aconteceu como é contada e que as palavras e motivações de Jesus poderiam ser diferentes da versão oficial. Hoje, 57 anos depois da descoberta, pode-se dizer que esses temores eram infundados. Comprovou-se, por exemplo, que não existe nenhuma citação a Jesus nos textos decifrados.

Além dos pergaminhos e objetos, haverá ainda itens adicionais que buscarão aumentar o entendimento do visitante sobre a época e o local, incluindo filmes, mapas, painéis e elementos interativos, além de atividades para escolas e um programa educacional que incluirá seminários, palestras e debates com estudiosos do Brasil e exterior. Também serão apresentadas Bíblias do Velho Testamento novas e antigas, comprovando que os textos lidos atualmente são os mesmos escritos nos Pergaminhos há mais de dois mil anos atrás.

Evento: Exposição Pergaminhos do Mar Morto: um legado para a humanidade

Atrações: 10 Pergaminhos (sendo três originais) e 77 objetos, todos com cerca de dois mil anos. Livros Essênios: Calendário, Regras da Comunidade e Salmos Sectários. Livros Bíblicos: Gênesis, Êxodos, Deuteronômio, Levítico, Salmos, Isaías e Filactérios.

Duração: De 26 de novembro de 2004 a 27 de fevereiro de 2005

Local: Estação Pinacoteca

Endereço: Largo General Osório, 66 (ao lado da Sala São Paulo, próximo à Estação Luz)

Horário de Funcionamento: terças a domingos, das 10h às 18h.

Preço: R$ 4,00, com entrada franca aos sábados.

fonte: aomestrecomcarinho.com.br

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