Discoteca Oneyda Alvarenga conclui projeto de digitalização e restauração do acervo

Iniciado em 2003, o processo de preservação e informatização do acervo da Discoteca Oneyda Alvarenga acaba de ser concluído. Com o objetivo de preservar mais de um século da produção musical popular e erudita do país, suas coleções de discos 78rpm e partituras brasileiras foram digitalizadas e catalogadas em um banco de dados informatizado. No total, são mais de 30 mil fonogramas (cerca de 15 mil discos) e 10 mil partituras. O projeto, selecionado em concurso público nacional e contemplado pela Lei de incentivo à cultura do Ministério da Cultura, recebeu patrocínio R$ 500 mil da Petrobrás.

Desde 17 de setembro o público tem acesso às novas instalações e serviços da Discoteca. O espaço, readaptado, ganhou outro mobiliário, equipamentos de som e cinco cabines acústicas para audição e pesquisa de registros sonoros, uma delas adaptada para portadores de deficiência física.

A consulta às obras ficou mais fácil: com a informatização, o usuário, que antes era obrigado a recorrer às antigas fichas de papel, poderá, pesquisar nos computadores instalados na própria Discoteca, que fica no Centro Cultural São Paulo (Rua Vergueiro, 1000 – Paraíso – São Paulo) e, em breve, consultar a relação completa dos discos e partituras do acervo pela Internet, acessando o site do CCSP.

“A informatização é essencial para proteger o acervo”, explica Francisco Coelho, coordenador do projeto. Com as partituras e fonogramas armazenados em computadores (e com cópias em CD’s) a perda ou o dano de um exemplar original não acarretará dano ou desaparecimento de uma obra. As consultas passarão a ser feitas nos suportes digitalizados e não mais diretamente nas matrizes, que ficarão preservadas. Os discos de 78rpm, prensados em baquelite, um suporte extremamente frágil, quebram com facilidade. O desgaste acontece também pela audição do disco, que vai sendo riscado pelo contato da agulha com a sua superfície. Com as partituras o problema é bastante semelhante, já que seu manuseio constante faz com que o papel se deteriore.

Os discos de 78rpm foram utilizados pela indústria fonográfica nacional entre 1902 e1964. Hoje, devido à dificuldade de se obter equipamentos necessários para a audição desse suporte – como agulhas, cápsulas e toca-discos -, obras de grandes nomes da música popular brasileira ficaram esquecidas, acessíveis a poucos especialistas e pesquisadores.

Esse trabalho tornará possível recuperar gravações históricas, colocando-as ao alcance do público. Na Discoteca, os fonogramas digitalizados, agora livres de chiados e interferências, poderão ser ouvidos em CD’s, nas cabines, e também no formato MP3, em computadores equipados com placas de som.

Raridades e curiosidades do acervo

O disco mais antigo presente na Discoteca foi gravado entre 1902 e 1904, pelo cantor Baiano. Saiu pelo primeiro selo brasileiro, Zon-O-Phone, número X-594, para a casa Edison. Uma das peças mais raras que há no acervo é a suíte sinfônica André de Leão e o Demônio encarnado (1941), de Heckel Tavares, com dedicatória do autor no libreto ao prefeito Prestes Maia.

O acervo reúne mais da metade dos discos gravados em 78rpm no Brasil. Dos cerca de 28 mil de que se tem registro (no catálogo publicado pela FUNARTE), a Discoteca possui 15 mil. A Discoteca dispõe do maior acervo de discos das gravadoras brasileiras (1950 e 1960) Sinter, Elite Special, Star, Mocambo, Todamérica e Sertanejo (primeiro selo especializado em música regional). Há também as primeiras gravações, feitas na década de 1950, de Roberto Carlos e João Gilberto (cantando como crooner do Grupo Garotos da Lua), quando eles ainda eram desconhecidos do público.

Histórico da Discoteca Oneyda Alvarenga

Criada em 1935 por Mário de Andrade, então diretor do Departamento de Cultura de São Paulo, a Discoteca Pública Municipal previa, inicialmente, a formação de uma Rádio-escola, que faria a difusão da música erudita e a criação de um selo fonográfico próprio. Entre suas propostas estava também a de incentivar o estudo musical, aproximando a população dessa atividade.

A Rádio-escola não vingou. O selo fonográfico, ainda que tenha produzido alguns discos, como Maracatu do Chico Rei, de Francisco Mignone, não foi adiante. Mesmo assim, a Discoteca prosperou, organizada pela musicóloga e folclorista Oneyda Alvarenga, que a dirigiu por 33 anos. Mário de Andrade, mesmo depois de sair do Departamento de Cultura, continuou a orientar e supervisionar o projeto.

Em 1982, depois de passar por várias sedes, a Discoteca foi transferida para o Centro Cultural São Paulo e, em 1987, passou a chamar-se Oneyda Alvarenga, em homenagem à sua primeira diretora, há pouco falecida. Seu acervo, composto de música erudita, popular e folclórica, possui aproximadamente 70 mil discos (78 e 33rpm), 35 mil partituras, 10 mil livros, 400 títulos de periódicos, além de uma hemeroteca. Está disponível para consulta e audição.

Nova música erudita e Web Rádio CCSP

Após recuperar parte significativa de nossa trajetória musical popular, a Discoteca Oneyda Alvarenga se lança à tarefa de divulgar a produção erudita contemporânea. Também com o patrocínio da Petrobrás serão editados partituras e CDs com músicas inéditas de cinco reconhecidos compositores nacionais: Gilberto Mendes, Almeida Prado, Edino Krieger, Rodolfo Coelho de Souza e Edmundo Villani-Côrtes. Está prevista ainda a realização de uma série de concertos com esses músicos e a edição de um catálogo, que trará um levantamento de todas as obras por eles compostas.

Também com a intenção de divulgar o seu acervo, a Discoteca será a principal fonte de alimentação da programação da Web Rádio do Centro Cultural São Paulo, em funcionamento desde julho. “São obras raras que, ao serem veiculadas na rádio, podem estar ao alcance de um número maior de pessoas, inclusive das que não moram em São Paulo”, explica Márcio Yonamine, coordenador da Web Rádio CCSP.

O projeto, ainda em caráter experimental, está com cinco programas no ar, atualizados quinzenalmente. Além de ouvir o programa na hora em que ele é transmitido, o internauta pode acessá-lo quando quiser por meio de um link na página www.centrocultural.sp.gov.br. Há um banco de dados onde o conteúdo integral das séries já apresentadas fica armazenado.

Visitação: segundas a sextas, das 10 às 20h, sábado, das 10 às 18h e domingos, das 10 às 16h. Grátis.

fonte: aomestrecomcarinho.com.br

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