O Mercado: chefs saem da cozinha e ocupam as ruas de São Paulo

Quem, como nós, ama a gastronomia, sabe: a comida mais autêntica de um lugar nasce das ruas. Como o Raphael Despirite já falou por aqui (http://www.assimumabrastemp.com.br/2011/12/de-olho-na-rua/), nada condensa mais a culinária baiana do que um bom acarajé, assim como não dá pra pensar na comida de Nova York sem o carrinho de hot dog e na de São Paulo sem o pastel com caldo de cana da feira.

Em São Paulo, o pastel de feira ainda é rei, mas muita gente ainda tem medo de comer em  uma barraquinha ou ambulante devido às condições de higiene. Como disse o Raphael: “comida de rua exige cuidados de higiene e manipulação como qualquer tipo de comida, por isso é importante que a prefeitura e vigilância sanitária fiscalizem e orientem essa legião de chefs de cozinhas portáteis. Mas isso não quer dizer punir e combater a comida ambulante, muito pelo contrário. Um governo inteligente sabe que esse tipo de comida faz parte do patrimônio cultural da cidade, deve ser respeitada e incentivada”.

Fonte: Divulgação

O sonho de comida de qualidade nas ruas de São Paulo com preços baixos e o toque de chefs profissionais, vai em breve se tornar realidade! Na madrugada deste sábado pra domingo (21/22 de abril), alguns dos melhores profissionais das cozinhas paulistanas vão armar sua barraca no pátio do restaurante Sal Gastronomia, em Higienópolis, para preparar seus quitutes e bebidas preferidos, por preços entre R$ 5 e R$ 20, num evento especial, batizado de “O Mercado”. A ideia foi dos chefs Checho Gonzáles, que já compartilhou conosco uma receita de cebiche (http://www.assimumabrastemp.com.br/2012/04/inove-no-peixe-da-semana-santa-com-o-cebiche/) e vai preparar o prato típico peruano na feira, e nosso querido Henrique Fogaça, que vai preparar sanduíches de pão ciabatta com carne seca desfiada, azeite de gengibre, queijo de cabra, tomate e rúcula.

Samosas vegetarianas, típicas da Índia. Fonte: Divulgação

E tem muito mais delícias na madrugada!

Alexandre Leggieri, da Cannoleria, vai vender seus famosos cannolis, doce típico italiano.

Carlos Ribeiro,  do Na Cozinha Restaurante e Escola de Gastronomia, fará o sanduíche Buraco Quente, com pão francês recheado de picadinho.

Dagoberto Torres, do Suri Cebiche Bar, vai fazer arepas, salgados com massa de milho típicos da Venezuela.

Também representando a América Latina, a mexicana Lourdes Hernandez vai preparar tacos e enchilladas.

Da Índia, Deepali Bavascar trará as samosas vegetarianas.

Janaína Rueda, do Bar da Dona Onça, vai cozinhar o politicamente incorreto “arroz de puta rica”, aquele arroz incrementado que é uma perfeita “confort food” para matar a fome da madrugada.

A turma do Comida de Papel vai grelhar burgers caseiros.

O chef boulanger Marcos Carneiro assará pães artesanais.

Rene Aduan Jr., do Alma Rústica Gastronomia, trará vários tipos de defumados acompanhados de seu famoso hidromel.

Tibira, dono do bar Caos, traz coxinhas e seus coquetéis.

E para completar, a sommelière Daniela Bravin vai servir vinhos e outras bebidas.

O chef Checho Gonzáles é o idealizador d’O Mercado Fonte: Divulgação

Hummm, dá fome só de pensar, né? E não para por aí: vizinha da feirinha gourmet, a Galeria Vermelho vai abrir suas portas e haverá sets musicais de DJ’s e projeções para agitar a madrugada paulistana. Muito bacana! O chef Checho Gonzáles conta que a ideia surgiu naturalmente após ele ter feito vários eventos em São Paulo e perceber que faltam opções baratas e da qualidade para os “baladeiros” matarem a fome de um jeito diferente e em contato com a cidade.

“Criei essa feira por entender que existe uma grande carência de opções neste formato em São Paulo. Como uma cidade tão grande e tão viva tem uma oferta gastronômica tão reduzida após a meia-noite? Existem inúmeros mercados mundo afora, então resolvi criar o da nossa capital, que propõe qualidade com descontração, realmente ao alcance de todos. O que queremos com “O Mercado” não é só reunir bons cozinheiros, mas sim gente legal que gosta de comer bem e não se encaixa no horário padrão, nem no formato já existente”, afirma.

Ele exalta a comida de rua e acha que ela deve ser mais incentivada na cidade. “A comida de rua é a verdadeira expressão popular. Existe um grande preconceito que a deixa em guetos e com qualidade duvidosa. Não precisa ser assim, podem haver incentivos da prefeitura, do setor privado, indústria alimentícia… Com a ajuda deles, a classe media vai perder o medo e consumir também. Podem ser criados inúmeros postinhos… Chegou a hora de melhorar a qualidade do ”podrão”, crescer em qualidade e higiene!”

“O Mercado” deve acontecer uma vez por mês, mas durante a Virada Cultural, que acontece entre os dias 4 e 5 de maio, alguns dos chefs participantes e muitos outros vão fazer algo parecido em pleno Minhocão, no centro da cidade.

O “Chefs na Rua – Mercado e Cultura Ganstronômica” (http://viradacultural.org/12/minhocao/chefs-na-rua#lugar12141) trará, entre outros, Alex Atala fazendo sua galinhada, e o nosso Raphael Despirite preparando cachorros quentes à moda francesa! Imperdível, não? Se você for na feira ou se tiver algo parecido na sua cidade, compartilhe conosco.

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