Vida sem carro

Desisti de dirigir em São Paulo. Se a pergunta seguinte seria “como viver numa das maiores metrópoles do mundo sem carro?” eu inverto a lógica e pergunto: como viver numa das maiores metrópoles do mundo com um carro?

Trânsito caótico, violência urbana e uma indústria das multas que parece partir do pressuposto que o trânsito mais bagunçado do planeta funciona com a precisão de uma máquina. E além de tudo, dirigir nunca foi meu forte.

Ou seja, decisão tomada. Opt-out do trânsito de São Paulo.

E agora? Como proceder?

No início não é fácil, mas a internet móvel e os aplicativos para smartphones acabam por nos dar uma forcinha.

Por exemplo, o Google Maps (http://maps.google.com/). Além de indicar todos os caminhos e endereços, há alguns meses começou também a dar todas informações sobre as rotas de ônibus e demais transportes públicos de São Paulo. Transporte público em São Paulo não é dos piores do Brasil, não dá conta, mas não deixa de ser uma opção.

Táxi. São Paulo tem menos táxis do que precisa, mas ainda sim tem uma rede boa de cooperativas e muitos pontos de táxis com telefone espalhados pela cidade. Descobri recentemente um aplicativo (http://itunes.apple.com/br/app/moove-taxi/id441150234?mt=8)que te dá opções de táxis e cooperativas baseados na sua localização.

E para aqueles momentos em que realmente um carro é insubstituível, descobri que no Brasil tem uma empresa de carros compartilhados chamada Zazcar (http://zazcar.com.br/), que é a nossa ZipCar, que existe em todos os Estados Unidos e Europa. Com este serviço, você paga um plano mensal de horas de utilização de carros, recebe um cartão de acesso em casa e pode usar qualquer um dos veículos espalhados em estacionamentos pela cidade. A reserva dos carros é toda feita pela web.

Pois é, no final, tomar a decisão de viver sem carro foi mais difícil do que viver sem carro de fato. rs

Se mais pessoas abrirem mão de ter um carro só para elas, buscarem soluções inteligentes para o trânsito e contarem com a ajuda da tecnologia, nossa rotina nas grandes cidades vai ficar muito mais inspiradora. É o mundo digital facilitando e transformando nossa vida real.

Boa semana todos!

Bolsas pulam das páginas dos quadrinhos para a vida real

Como já mostramos aqui no blog, o design não só facilita nossa vida (http://www.assimumabrastemp.com.br/2011/12/como-o-design-facilita-nossa-vida/) como a pode deixar mais divertida (http://www.assimumabrastemp.com.br/2012/03/com-design-inspirador-e-divertido-sapatos-se-transformam/). E diversão não falta na linha de bolsas JumpFromPaper (http://www.jumpfrompaper.us/), que descobrimos através do blog Hypeness (http://www.hypeness.com.br/2012/03/bolsas-com-o-design-de-cartoon/) e simplesmente adoramos!

As bolsas, feitas em fibra de poliéster e ideais para carregar seu notebook, tablet e tudo mais que você precisa no dia a dia, brincam com a perspectiva e parecem ter duas dimensões, como se estivessem nas páginas de uma revista em quadrinhos. As cores vivas e os traços minimalistas reforçam a impressão de que elas saíram diretamente dos quadrinhos.

Elas foram criadas pela dupla de designers taiwanesa Chay Su e Rika Lin, que contam no seu site como tiveram a ideia enquanto conversavam, numa tarde qualquer. Começaram a desenhar esboços do que seriam as  bolsas dos seus sonhos, e uma ideia surpreendente surgiu: “como seria incrível se uma ilustração bidimensional feita a mão viesse à vida como uma bolsa de verdade!”

Elas trabalharam muito, explorando todas as possibilidades, e chegaram ao incrível design das JumpFromPaper, que quer dizer “pular do papel”. As bolsas podem ser compradas pela internet (http://www.jumpfrompaper.us/), mas infelizmente por enquanto só são entregues nos EUA. Não vemos a hora delas aparecerem por aqui! Gostaram dessas “bolsas cartoon”? Compartilhe conosco nos comentários sua opinião e outros achados incríveis de design que você descobriu, e quem sabe eles também não aparecem aqui no nosso blog que é assiiim… uma Brastemp!

Fila cultural

Fim de semana chuvoso, reunimos a família para um programa off-praia. Imaginei como os cinemas estariam lotados, portanto uma chance de levar a molecada a uma exposição. Abri o jornal e fiquei surpreso com as boas opções que a cidade oferecia. Tinha Modigliani e Eliseu Visconti no Museu Nacional de Belas Artes, desenhos de Fellini no Instituto Moreira Salles, fotos do beijoqueiro francês Robert Doisneau, as cadeiras e seus arredores dos irmãos Campana… Minha mulher sugeriu que fôssemos ao Centro Cultural Banco do Brasil ver a mostra Tarsila do Amaral, sua primeira exposição individual no Rio em quarenta anos.

Chegando no Centro Cultural, tive a impressão de que todo mundo teve a mesma ideia. Ainda pensei que minha mulher talvez tenha falado alto demais, o pessoal ouviu e achou uma boa ideia. A fila descia as escadas do prédio e se estendia pelo salão principal. Tomei um susto. Comecei a calcular o tempo da espera quando me dei conta do fenômeno que ocorria: a fila transcorria na maior paz.

Geralmente fila é sinônimo de tumulto. Fila grande significa um ajuntamento de pessoas revoltadas. Não foi o que eu vi. Aliás, não é o que se vê em filas para exposições. As pessoas aguardam tranquilas a sua vez. Ficamos todos, na verdade, impressionados com a força de um artista plástico que consegue mobilizar tanta gente para apreciar seus trabalhos. E quem tinha alguma dúvida da importância do artista, passa a ter certeza ao ver quanta gente está ali. Chega a dar um certo orgulho cívico, uma sensação de que o país está andando pra frente, nem que para isso tenha que entrar numa fila.

As crianças ficaram curiosas para saber o que aquele pessoal tanto queria ver. Temos o hábito de levar um caderninho para cada um desenhar, uma forma de passar o tempo. Enquanto caminhávamos a passos milimétricos, mostramos a eles algumas coisas sobre Tarsila e o Modernismo pela internet do celular, outra maneira de nos ocuparmos.

Definitivamente a fila faz parte da exposição. Se algum dia for curador, vou me preocupar com isso. Quantas vezes a pessoa encontra um amigo e comenta: “Fui a uma mostra no MAM e tava uma fila enorme!” E nem se irrita com isso, até emenda: “Ainda bem que eu fui porque era a última semana…” Então fala do que viu, deixando o outro com água na boca por ter perdido a mostra… e até a fila,  onde se pode conhecer gente interessante e de hábitos saudáveis.  Tem solteiro que garante: certas filas dão de dez em muitas baladas que rolam por aí…

Arte com lápis e caneta esferográfica

Há quem diga que os artistas contemporâneos não se comparam aos mestres do passado. Bem, claro que um Leonardo da Vinci, Michelangelo, Picasso ou Monet não aparecem todo dia, mas temos descoberto e compartilhado com vocês obras muito interessantes e inspiradoras de artistas atuais, como a jovem Alexa Meade (http://www.assimumabrastemp.com.br/2012/04/para-a-pintora-alexa-meade-o-corpo-e-a-tela/), que usa o corpo humano como tela, a fotógrafa Amy Hildebrand (http://www.assimumabrastemp.com.br/2012/04/para-lindas-fotografias-basta-inspiracao/), que tem apenas 20% da visão mas cria belas imagens, e a turma da Street Art (http://www.assimumabrastemp.com.br/2011/11/street-art-inspiracao-para-o-dia-a-dia/).

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Juan Casas cria efeito tridimensional em seus desenhos com caneta. Fonte

Hoje, vamos mostrar dois outros exemplos incríveis de artistas contemporâneos cheios de talento. Em comum, eles dispensam a tinta e pincéis e usam objetos prosaicos para criar obras realistas e cheias de detalhe: o espanhol Juan Casas usa apenas lápis, e o belga Ben Heine utiliza canetas esferográficas comuns. Vejam o detalhismo e a expressividade que eles conseguem extrair desses objetos tão comuns!

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As obras exploram a sensualidade do corpo feminino. Fonte

Casas estudou Belas Artes e no começo fazia pinturas tradicionais, sempre buscando o realismo. Começou a desenhar com canetas esferográficas de brincadeira, em cima de fotografias de amigos, e foi aperfeiçoando a técnica até atingir a quase perfeição. Em cada desenho, ele chega a utilizar até 18 canetas e semanas de trabalho até chegar ao resultado final. Os personagens preferidos nas obras são mulheres em poses que transpiram sensualidade.

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Exemplo da série “pencil vs. camera”, de Ben Heine. Fonte
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Heine quer fazer as pessoas sonharem com seus desenhos. Fonte

Já Heine nasceu na Costa do Marfim, onde seu pai trabalhava como engenheiro, e aos sete anos a família voltou para a Bélgica. Ele nunca gostou da escola e era uma criança problemática, mas sempre gostou de desenhar e escrever, e canalizou sua energia para a arte.

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Na série “pencil vs. camera” (lápis vs. câmera) ele mescla sua paixão pela fotografia e pelo desenho, e em todas o fundo realista das fotografias recebe um toque de surrealismo e inventividade dos desenhos à lápis, criando um resultado muito inspirador. Em seu site, o artista diz: “eu apenas faço arte para as pessoas. Eu quero que elas sonhem e esqueçam de seus problemas diários. Eu costumava escrever poemas há muitos anos atrás. Quero transmitir um significado poético e filosófico nas minhas imagens, cada nova criação deve contar uma história e gerar uma emoção intensa, como um poema, como uma melodia”.

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Inspire-se no trabalho destes dois artistas e, da próxima vez que tiver uma caneta ou um lápis na mão, deixe a imaginação fluir!

Comer e correr em Paris

Quatro horas e 15 minutos correndo sem parar por Paris. Foi minha primeira maratona, um desafio que queria superar desde que comecei a correr. Como acontece com todo mundo que enfrenta os 42,125 km, uma pergunta passou pela minha cabeça: por que?

A corrida para mim funciona como uma forma de renovar a mente. Tem gente que aproveita a corrida para pensar na vida, quatro horas sem falar com ninguém é uma ótima oportunidade para isso. No meu caso, não penso em nada, é quase como se meu cérebro estivesse antiaderente, como uma daquelas frigideiras de teflon, os pensamentos vão e vem mas nada cola de fato.

A comida também tem esse efeito, e talvez por isso seja a minha maior paixão. Por um instante, mesmo que seja rápido demais, um bom prato te faz esquecer de tudo. Primeiro pela apresentação, que capta o olhar e acende a imaginação, depois pelo aroma que aproxima e prepara o paladar e finalmente pelo sabor que protagoniza e resume toda essa experiência…

Aquelas dicas de restaurantes em Paris que prometi semana passada tem tudo a ver com essas sensações, são três lugares que apresentam uma comida delicada, de sabores suaves, mas marcantes, e apresentação impecável, hipnotizante.

O primeiro é o Saturne, que fica ao lado da Bolsa de Paris. Por lá comi esse delicado steak tartare  da foto, leve, tanto em sabor quanto em textura, uma bela interpretação do clássico francês.

Outro lugar bacana para conhecer é o Le Dauphin, restaurante meio bar de vinhos e tapas do mesmo chef do Le Chateaubriand, que virou restaurante da moda em Paris depois de ter conseguido um belo lugar na lista dos 50 melhores da São Pelegrino. A comida é criativa, gente bonita se amontoa no salão e a conta não é nada assustadora.

A dica final é um clássico do qual já falei aqui no blog, o L’atelier  do Joel Robuchon. Dessa vez conheci a filial da Champs Elysées, do lado do Arco do Triunfo. Comi o melhor prato da viagem ou o prato que valeu a viagem, uma rabada fria com creme de cenouras, espetacular, fantástico mesmo. Foram garfadas que fizeram o tempo parar, sinto uma certa euforia toda vez que como algo surpreendente, muito parecido com a sensação que tive ao terminar a maratona. Talvez comida e corrida não sejam assim tão diferentes, e talvez aí esteja o porque…

Endereços:

Saturne:

17, rue Notre-Dame-des-Victoires 75002 Paris metro: Bourse

Le Dauphin

131, avenue Parmentier 75011 Paris metro: Goncourt

L´atelier Joel Robuchon

133, Avenue des Champs Elysées 75008 Paris metro: Charles de Gaulle Etoile

Fazenda do seu jeito…

Quando o vento sopra, dificilmente não me lembro do campo e de todas as delícias que o acompanham. O aroma do campo me inspira a criar. Então, vamos lá!

Claro que o resultado vai depender do quanto você sonha com uma casa de campo. Para começar, podemos reunir, mesmo que mentalmente, todos os detalhes que uma casa de campo costumeiramente possui: pedra, madeira, cimento queimado, tijolo à vista, argamassas irregulares e ladrilhos hidráulicos.

Quando você estiver com todos os elementos teoricamente organizados, já pode pensar em libertar a sua imaginação para pensar no cenário perfeito, capaz de te arremessar a quilômetros do caos urbano, mesmo sem sair daqui. Com materiais simples, muitas vezes reutilizados, e criatividade, é possível fazer qualquer ambiente entrar no clima aconchegante típico das fazendas. Mas é um desperdício não se envolver com todo o cenário. A brasilidade muitas vezes presente na arquitetura e na decoração, e a própria natureza encarregada do paisagismo que geralmente circunda esses espaços, me encanta. Seja pelo piso rústico, os janelões que deixam a luz natural entrar, as panelas de ferro, as chaleiras de cobre, o fogão a lenha ou pelo punhado de história que parece estar impregnado por todo o lugar.

Para transmitir essa história, você não necessariamente precisa ter referência em livros ou figuras importantes que marcaram época. A coisa pode ficar muito mais interessante se, ao invés de uma cadeira antiga onde sentou grande parte dos senhores feudais, você incluir qualquer peça que tenha uma boa história para você. As imagens abaixo podem servir de guia para a sua nova empreitada, que não necessariamente te obrigue a pegar a estrada. Você pode dar esse ar de fazenda até mesmo na sua atual casa, desde que ela possibilite isso. Então veja aqui tudo o que você precisa para criar o seu paraíso particular, e boa viagem…

Obras de arte comestíveis

Quem acompanha nosso blog já sabe: dois assuntos que nos fascinam e sempre abordamos por aqui são gastronomia e arte. Muitos consideram a culinária uma ciência e também uma arte, mas alguns desses “artistas gourmet” vão além e criam verdadeiras obras primas, como a série “paletas culinárias” (http://www.assimumabrastemp.com.br/2012/04/inspiracoes-cores/), que já mostramos pra vocês.

E nossos olhos brilharam ao ver no site Hypeness (http://www.hypeness.com.br/2012/03/esculturas-incriveis-com-comidas/) o trabalho do fotógrafo inglês Ilian (http://www.ilian.co.uk/), que cria verdadeiras esculturas em berinjelas, maçãs, tomates, melancias e outros legumes e frutas.

Ele começou a carreira como fotojornalista, cobrindo eventos nada inspiradores, com a guerra em Kosovo. Enveredou pela fotografia comercial, que despertou sua paixão pelas fotos de comida. Adquiriu bastante experiência, passou a desenvolver seu estilo pessoal e único de fotografia, e em seus trabalhos mais autorais, demonstra todo seu amor pela comida (ele também é uma cozinheiro de mão cheia, segundo o site).

Nas fotos, as cores e texturas dos alimentos ganham vida  em desenhos cuidadosamente esculpidos. Mais uma mostra de que a inspiração para a arte pode vir de qualquer lugar!

Gostaram do trabalho de Ilan? Compartilhem nos comentários sua opinião e outros artistas inspiradores que vocês gostariam de ver por aqui! Afinal, inspiração muda tudo, e a vida fica assiiim… uma Brastemp!

Imagem & Ação

Estou viciado num novo app para o iPhone, o Draw Something.

Na prática, é tipo uma “Imagem & Ação” moderno, em que você tem que desenhar alguma coisa para que seus amigos possam acertar do que se trata.

O app conecta você com seus amigos do Facebook, ou com outros usuários aleatórios do jogo, e te dá três opções de desenhos para fazer. Com o desenho pronto, ele dá ao seu oponente o numero de letras da palavra, e algumas letras também aleatórias, para que você possa combinar e descobrir o objeto que está sendo desenhado.

Esse app já é um dos mais baixados na iTunes Store e é um verdadeiro fenômeno entre os donos de iPhones.

E mais do que isso, é também uma prova de que a inspiração nem sempre é o novo, mas pode ser também novas formas de aplicar tradicionais ideias.

Aqui um vídeo que encontrei no YouTube com alguns dos melhores desenhos feitos no app!

O Mercado: chefs saem da cozinha e ocupam as ruas de São Paulo

Quem, como nós, ama a gastronomia, sabe: a comida mais autêntica de um lugar nasce das ruas. Como o Raphael Despirite já falou por aqui (http://www.assimumabrastemp.com.br/2011/12/de-olho-na-rua/), nada condensa mais a culinária baiana do que um bom acarajé, assim como não dá pra pensar na comida de Nova York sem o carrinho de hot dog e na de São Paulo sem o pastel com caldo de cana da feira.

Em São Paulo, o pastel de feira ainda é rei, mas muita gente ainda tem medo de comer em  uma barraquinha ou ambulante devido às condições de higiene. Como disse o Raphael: “comida de rua exige cuidados de higiene e manipulação como qualquer tipo de comida, por isso é importante que a prefeitura e vigilância sanitária fiscalizem e orientem essa legião de chefs de cozinhas portáteis. Mas isso não quer dizer punir e combater a comida ambulante, muito pelo contrário. Um governo inteligente sabe que esse tipo de comida faz parte do patrimônio cultural da cidade, deve ser respeitada e incentivada”.

Fonte: Divulgação

O sonho de comida de qualidade nas ruas de São Paulo com preços baixos e o toque de chefs profissionais, vai em breve se tornar realidade! Na madrugada deste sábado pra domingo (21/22 de abril), alguns dos melhores profissionais das cozinhas paulistanas vão armar sua barraca no pátio do restaurante Sal Gastronomia, em Higienópolis, para preparar seus quitutes e bebidas preferidos, por preços entre R$ 5 e R$ 20, num evento especial, batizado de “O Mercado”. A ideia foi dos chefs Checho Gonzáles, que já compartilhou conosco uma receita de cebiche (http://www.assimumabrastemp.com.br/2012/04/inove-no-peixe-da-semana-santa-com-o-cebiche/) e vai preparar o prato típico peruano na feira, e nosso querido Henrique Fogaça, que vai preparar sanduíches de pão ciabatta com carne seca desfiada, azeite de gengibre, queijo de cabra, tomate e rúcula.

Samosas vegetarianas, típicas da Índia. Fonte: Divulgação

E tem muito mais delícias na madrugada!

Alexandre Leggieri, da Cannoleria, vai vender seus famosos cannolis, doce típico italiano.

Carlos Ribeiro,  do Na Cozinha Restaurante e Escola de Gastronomia, fará o sanduíche Buraco Quente, com pão francês recheado de picadinho.

Dagoberto Torres, do Suri Cebiche Bar, vai fazer arepas, salgados com massa de milho típicos da Venezuela.

Também representando a América Latina, a mexicana Lourdes Hernandez vai preparar tacos e enchilladas.

Da Índia, Deepali Bavascar trará as samosas vegetarianas.

Janaína Rueda, do Bar da Dona Onça, vai cozinhar o politicamente incorreto “arroz de puta rica”, aquele arroz incrementado que é uma perfeita “confort food” para matar a fome da madrugada.

A turma do Comida de Papel vai grelhar burgers caseiros.

O chef boulanger Marcos Carneiro assará pães artesanais.

Rene Aduan Jr., do Alma Rústica Gastronomia, trará vários tipos de defumados acompanhados de seu famoso hidromel.

Tibira, dono do bar Caos, traz coxinhas e seus coquetéis.

E para completar, a sommelière Daniela Bravin vai servir vinhos e outras bebidas.

O chef Checho Gonzáles é o idealizador d’O Mercado Fonte: Divulgação

Hummm, dá fome só de pensar, né? E não para por aí: vizinha da feirinha gourmet, a Galeria Vermelho vai abrir suas portas e haverá sets musicais de DJ’s e projeções para agitar a madrugada paulistana. Muito bacana! O chef Checho Gonzáles conta que a ideia surgiu naturalmente após ele ter feito vários eventos em São Paulo e perceber que faltam opções baratas e da qualidade para os “baladeiros” matarem a fome de um jeito diferente e em contato com a cidade.

“Criei essa feira por entender que existe uma grande carência de opções neste formato em São Paulo. Como uma cidade tão grande e tão viva tem uma oferta gastronômica tão reduzida após a meia-noite? Existem inúmeros mercados mundo afora, então resolvi criar o da nossa capital, que propõe qualidade com descontração, realmente ao alcance de todos. O que queremos com “O Mercado” não é só reunir bons cozinheiros, mas sim gente legal que gosta de comer bem e não se encaixa no horário padrão, nem no formato já existente”, afirma.

Ele exalta a comida de rua e acha que ela deve ser mais incentivada na cidade. “A comida de rua é a verdadeira expressão popular. Existe um grande preconceito que a deixa em guetos e com qualidade duvidosa. Não precisa ser assim, podem haver incentivos da prefeitura, do setor privado, indústria alimentícia… Com a ajuda deles, a classe media vai perder o medo e consumir também. Podem ser criados inúmeros postinhos… Chegou a hora de melhorar a qualidade do ”podrão”, crescer em qualidade e higiene!”

“O Mercado” deve acontecer uma vez por mês, mas durante a Virada Cultural, que acontece entre os dias 4 e 5 de maio, alguns dos chefs participantes e muitos outros vão fazer algo parecido em pleno Minhocão, no centro da cidade.

O “Chefs na Rua – Mercado e Cultura Ganstronômica” (http://viradacultural.org/12/minhocao/chefs-na-rua#lugar12141) trará, entre outros, Alex Atala fazendo sua galinhada, e o nosso Raphael Despirite preparando cachorros quentes à moda francesa! Imperdível, não? Se você for na feira ou se tiver algo parecido na sua cidade, compartilhe conosco.

Muito além da caixinha de surpresas

Nem tudo no futebol tem a ver com a bola. Vitórias e derrotas podem acontecer fora de campo. E um desses aspectos me chamou a atenção. Um jogador do elenco do Botafogo se envolveu em um sério problema com drogas. Jobson foi flagrado num exame antidoping e confessou ser usuário de crack. Ao expor sua fraqueza, passou a ser visto com desconfiança por muita gente. Foi alvo de piadas, de preconceito e de pouca solidariedade. Na contramão dos fatos, um profissional da saúde resolveu se aproximar do jogador para tentar ajudá-lo a sair dessa.

O psiquiatra Roberto Curi Hallal se impôs um desafio: recuperar o jogador Jobson com um tratamento que não prevê internações ou punições exageradas. Roberto parte do princípio de que todos temos problemas e que podemos superá-los. Achei sua atitude corajosa e seu exemplo inspirador. Vamos ver o que ele tem a nos dizer.

– Dr. Roberto, afinal, qual o problema do Jobson?

Não se pode resumir uma vida inteira a um problema. Como qualquer ser humano, ele pode melhorar se dedicar-se a isto. Pode crescer como pessoa, incorporando uma cultura que lhe permita viver esta difícil posição que é ter uma vida privada, sendo uma figura pública.

– O que o levou a querer ajudar o jogador?

Minha paixão pelo Botafogo e por acreditar que não haviam sido realizados alguns cuidados que permitiriam ao Jobson pensar e agir de um modo diferente. Entendi que deveria me oferecer para ajudar. Assim que me ofereci ao Botafogo para ajudar, fui aceito.

– Como sua atitude tem sido vista?

Tenho tido o maior apoio nesta minha dedicação por parte da imprensa e do Botafogo. A decisão de não internar o atleta ganhou a simpatia de muitos. A inclusão social através de um convívio com reflexões sobre a vida é algo que dimensiona a realidade para vivermos dentro dela. Até aqui estamos todos os envolvidos, nos enriquecendo como pessoas e como instituição, tanto o Botafogo, seus representantes e, mais diretamente, Jobson e eu. Construir oportunidades enaltece e enriquece aos envolvidos, humanizar cuidados incentiva e devolve alegria à vida.

– O senhor está tentando ajudá-lo. E ele, está disposto a se ajudar?

Nada é definitivo na vida, em cada momento deveremos atualizar isto. Nos cinco meses que o acompanho, tem dado evidências de uma mudança significativa em sua vida, então acredito que desta forma o atleta acaba beneficiado. A conquista é uma etapa, a manutenção será outra etapa. Como se pode ver, as metas mudam e os cuidados também.

– O senhor pode afirmar que Jobson está livre das drogas?

Alguém poderia afirmar que ele foi prisioneiro delas? Eu nunca acreditei nisto e foi exatamente por isso que nunca indiquei internação. Somente se deve usar uma internação quando o ser humano põe em risco sua vida ou a vida daqueles que o cercam. Então estaríamos falando de medidas protetoras. Quando se fala em drogas, se negligencia tantas outras coisas, quase sempre mais importantes e mais negativas para as pessoas.

– Por que algumas pessoas com as mesmas origens sociais que ele não incorrem nos mesmos erros?

Porque as razões que levam as pessoas a viver são multideterminadas, desta forma não é uma causa promovendo um efeito. Algumas marcas mais fortes acompanham a vida com mais presença que outras. Isto não significa que o destino não possa ser mudado em qualquer momento, desde que a pessoa deseje esta mudança. Não será pelo desejo dos outros ou pelo interesse dos demais que alguém encontra razões para mudar seu modo de viver.

– O senhor acha que o Jobson pode superar essa fase e  render em campo o que a torcida espera dele?

Nunca vi questionado o atleta, todos sabem que ele é um jogador excepcional. Estamos investindo no homem Jobson para que ele se aproxime o mais que puder do atleta que alcançou ser. Se o crescimento do homem acompanhar o desempenho do atleta, estaremos diante de uma pessoa especial.

– Que outros trabalhos o senhor desenvolve nesta área?

Sou Professor Emérito da Universidade de Cuba, colaboro com universidades da Venezuela, do Equador e da Argentina. Aqui no Brasil sou o idealizador e diretor-geral do Centro de Referência à Vida do Instituto Oziris Pontes, na caatinga cearense, e também participo como diretor do Instituto Ler É Abraçar no Rio de Janeiro. Sou membro permanente de um grupos de pensadores sobre Humanidades em Catanzaro na Itália, onde definimos políticas públicas de 22 países do Mediterrâneo e quatro latino-americanos. Sou membro da Academia Brasileira de Médicos Escritores e assessor permanente de Cultura e Saúde Mental da Associação Latino-americana de Pediatria – Sessão de Adolescência.

– Recentemente a imprensa deu a entender que, sem internação ou punições, o senhor trataria o Jobson na base do humor. Posso usar no meu carro o adesivo: “Só o humor salva”?

O humor salva ou fere. Use-o com adequação.