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28/03

Por: Raphael Despirite

Na: Quarta-feira

Não para

É o desafio diário de todo cozinheiro, transformar ingredientes em pratos. Da farinha surge a massa, cogumelos se transformam em creme, esse é o jogo da cozinha.



Mas as transformações não param por aí, podemos por meio de um prato brincar com o comensal, é o que alguns chefs da vanguarda fazem. Heston Blumenthal, inglês considerado um dos chefs mais criativos do mundo, gosta de trabalhar com as sensações. Um microfone dentro de uma concha reproduz o som do mar enquanto o cliente degusta um prato de frutos do mar, a ideia é potencializar ainda mais o sabor e a experiência. Quique da Costa, espanhol dos mais inquietos, transformou pratos em instalações artísticas, a arquitetura do museu Guggenheim, por exemplo, foi o tema de um dos seus pratos mais premiados.


Uma brincadeira que gosto de fazer é transformar um produto visualmente, fazê-lo parecer outra coisa. Um dos primeiros pratos que criei na minha carreira foi o “falso fio de ovos”,  se ao olhar parece o doce português clássico, na boca os fiozinhos amarelos se transformam em um sorbet de manga. O também espanhol Josean Alija, do restaurante Nerua, em Bilbao, apresenta em seu menu degustação dois pratos nessa linha: uma cebola transformada em bacalhau e um abacate apresentado como foie gras.


O legal dessa história é ver que a gastronomia também está em constante transformação, não há limites que a imaginação e a curiosidade não possam superar. A boa comida alimenta o corpo e instiga a alma, mesmo que estejamos estáticos, algo dentro de nós esta sempre em movimento.


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