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08/12
Por: Helio de La Pena
Na: Quinta-feira
Esta semana entrei no túnel do tempo. Peguei meu carro e viajei por mais de quarenta anos até chegar à Escola Municipal Desembargador Montenegro, na Vila da Penha. A escola comemorava seu 60º aniversário e me convidou para uma visita. É curioso voltar a um cenário da infância. Tudo parece ter encolhido, o pátio, os corredores, as carteiras na sala de aula. Esqueci que tempos atrás o encolhido era eu, um mirrado moleque que saía de casa com uma pasta de couro e uma merendeira de plástico à tira-colo. Atravessava a estrada Vicente de Carvalho e seguia por uma trilha entre os diversos campinhos de futebol até entrar no portão da escola.
Minha memória não tem backup, pouca coisa daquela época consegui manter salvo. Uma delas é que o ensino público funcionava. Alguns professores eram famosos no bairro e as vagas em suas turmas, disputadíssimas. Esse era o caso da dona Sheila (não as chamávamos de tia). Para os alunos, um terror. Todos tínhamos um caderno de testes no material. A qualquer momento, podíamos ser surpreendidos com a frase: “Caderno de testes sobre a carteira.” A turma gelava. Teste surpresa. Ou seja, não tinha essa de estudar em cima da hora, tinha que estar sempre preparado porque, quando menos se esperava, o bicho podia pegar.
Lembro-me também de uma outra professora, dona Edite, que adotava um método menos assustador e, ainda assim, ensinava e cobrava da gente o dever de casa, a matéria estudada, o silêncio dentro de sala. Em compensação, não precisei de um curso preparatório para ser aprovado no “vestibular” do Colégio de São Bento, onde fiz a segunda etapa do ensino fundamental e o ensino médio.
O recreio era uma zona mesmo, futebol, pique, bola de gude. Suávamos o uniforme até ouvir soar a sineta. A zoação era generalizada e, como nos fundos da escola avistávamos um morro com uma grande área verde, inventávamos quadrinhas pra pilhar os amigos:
“Lá em cima daquele morro
passa boi, passa boiada
só não passa o zé roberto
de cueca mal lavada”
Décadas depois, a realidade é outra. A escola hoje é cercada por um grande conjunto habitacional, nada de vaquinhas no morro, agora ocupado por barracos. As professoras lutam com dificuldade para recuperar a qualidade do ensino. Oferecem atividades extra-curriculares para as crianças e para os pais da comunidade. Animado com o empenho delas, dei uma força para que conseguissem montar um departamento de informática. E torço pra que formem ali gerações de meninas e meninos vencedores. E torço também pra que o Zé Roberto agora já lave suas cuecas!
Levei meus moleques pra conhecer a escola que estudei quando tinha a idade deles. Na foto, também meu pai
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Maravilhoso ver que tem lugares que as pessoas não simplesmente fingem que não veem , elas atuam e ajudam a mudar.
Hélio, vc me surpreende cada vez mais com tamanha qualidade presente no discurso de contos e fatos, sem esquecer de fotos, que publica! Impressionante! Parabéns!
Amei ver as fotos da nossa escola. O seu relato me emocionou. Espero que muitos dos alunos que passam pelos nossos cuidados realizem grandes vôos e que eternizem em suas memórias a nossa escola. Afinal, ela faz parte da nossa história.
OLHA SO ASSIM RELEMBREI MEUS TEMPOS DE INFANCIA TAMBÉM. AONDE ESTUDEI ERA ASSIM TAMBÉM.
Parabenizo a todos vocês pelas valiosas contribuições no curso da vida das pessoas que passaram por essa escola, a Escola Municipal Desembargador Montenegro, aqui apresentadas.
Beijos fraternais.
Enio
PUXA! QUE SAUDADE! TBM ESTUDEI NA DES. MONTENEGRO DE 1973 A 1976. SERÁ QUE ELE FOI DESSE TEMPO? ESTUDEI COM AS PROFS AMÉLIA, ELISABETE E DILMA. ALGUÉM LEMBRA?
Hélio, atitudes como as suas certamente,chegaremos a um lugar melhor. moradora da VP.