Entre, sente e fique à vontade!

Já reparou que sentar é sempre o começo de tudo? E é sem dúvida o meu começo também. Sou incapaz de precisar o início dessa fascinação desmedida pelas cadeiras. Mas o que posso garantir é que essa forma simples, limpa e esculpida especialmente para acomodar o corpo com muito conforto não fascina só a mim, não. Quem trabalha ou estuda design sabe que existe uma atração especial dessas criaturas pelas cadeiras.

1) Wassily chair de Marcel Breuer 2) Diamond chair de Harry Bertoia 3) LAR, DAR and RAR de Charles e Ray Eames

Mas não me pergunte o por que. Aliás, esse já foi tema de discussões intermináveis entre meus colegas arquitetos e designers de interiores e nem preciso dizer que já esperei muito sentado por uma resposta e, nada! Nada além dessa paixão avassaladora que entendo como fascinação e já li em algum lugar que é o que separa o bom do ótimo e o comum do carismático, do objeto que você gosta para o que você não consegue esquecer.

1) Diz Sergio Rodrigues  2) Cadeira São Paulo de Carlos Motta

1) Cadeira Paulistano de Paulo Mendes da Rocha 2) Cadeira Circa 1950 Jacarandá de Joaquim Tenreiro

Mas tenho o palpite de que, entre forma e função, as cadeiras, mais do que qualquer outra peça de mobiliário, são as que mais podem ter a sua forma alterada, às vezes até formas que confundem, por alguns segundos, a sua interpretação como cadeiras, mas sempre preservando a sua função, ou não! Como o móvel faz parte do ambiente que desenhamos, fica a dica: a cadeira não precisa ser usada apenas para sentar, já vi e a usei como mesa lateral, base para quadros, apoio de cabeceira e até mesmo para emoldurar parede.

Desenhar uma cadeira é quase tão difícil quanto projetar uma casa, já dizia o arquiteto alemão Mies van der Rohe. Talvez, por instigar esse desafio, essa peça tem sido tão submetida aos sonhos dos designers, seja pela curva particular de um encosto, a particularidade da ergonomia, a torção de uma perna, o ângulo de um banco, a forma quase escultural ou apenas pela simples função, uma coisa é certa: essa peça tem capacidade de fazer do pouco, muito. E um dia, finalmente, saberemos o que torna um modelo mais cativante que o outro. Talvez não. Talvez seja exatamente esse mistério o que nos fascina tanto.