Home      Blog Inspiração Coletiva      Legendas de artes plásticas

10/03

Por: Helio de La Pena

Na: Quinta-feira

Legendas de artes plásticas

Pavilhão no meio de uma bela paisagem


Agora que o carnaval acabou, que todo mundo se fartou de ver peitões e popozões siliconados vestidos apenas por uma fina camada de purpurina, está na hora de mudar de assunto. Vamos passar a um tema elevado para compensar toda a baixaria consumida ou, no mínimo, desejada durante esse período. Que tal artes plásticas? Uau! Uma mudança e tanto!


Conheci um lugar que só está no Brasil porque fica perto de Belo Horizonte. Inhotim. É um museu (será que eles se ofendem se chamá-lo assim?) cuja visita é obrigatória a todo brasileiro aprovado no teste do Tiririca. Inhotim fica em Brumadinho, mas ao passar o portão você se sente na Noruega, Suécia ou Holanda. Cheguei a estranhar quando um funcionário se dirigiu a mim em português.


Numa belíssima e extensa área verde estão obras a céu aberto ou em pavilhões que abrigam exposições de mais de cem artistas renomados de todo canto do planeta.  Gente como Olafur Eliassom, Helio Oiticica, Amilcar de Castro, Chris Burden, Miguel Rio Branco tem seus trabalhos espalhados num Jardim Botânico inspirado em Burle Marx que por si só já vale a viagem. Seus neurônios vão ficar eternamente gratos.


Além da beleza do local e das obras, uma coisa me chamou atenção. Algo bastante usual nas exposições de arte abstrata.  Você avista um objeto ou uma pintura estranha. Põe a mão no queixo. Se aproxima. Se afasta. Continua sem entender nada. Então vê no canto da sala um texto na parede. Respira aliviado: vai botar sua inguinorança pra correr. E corre até a tradução da obra para o português. Inútil. Eles seguem à risca a filosofia do Chacrinha: “eu vim para confundir e não para explicar”.


A francesa Dominique Gonzalez-Foerster apresenta “Promenade”: uma sala vazia onde ouvimos o som de uma tempestade tropical. O que é isso, afinal? Trata-se de “uma obra de arte não material”. Descubro que “… a Gonzalez-Foerster interessa noções como nomadismo cultural e tropicalização, encontradas nos elementos psicogeográficos do lugar”. Ah, bom!


Em outra sala, Iran do Espírito Santo coloca grandes placas de vidro encostadas na parede. Não, Iran não é um vidraceiro que ainda não terminou o serviço. Segundo a legenda, ele “…trabalha insistentemente com o vocabulário geométrico”. Entendeu? Nem eu.


Numa obra, um artista “sublinha o que há de diferente mas também de igual em cada um destes objetos…”. Sublinhou tudo? Mais adiante, vejo um trabalho que “aponta para a arqueologia política e psicológica…”


Desisto de entender qualquer obra de arte. O melhor a fazer é olhar e curtir. Você não precisa saber no que o artista estava pensando quando criou a obra. Muito menos no que os outros estão pensando. Estabeleça a sua relação com o trabalho. Pare, olhe, respire fundo e…inspire-se!  Se alguém te perguntar alguma coisa, diga simplesmente, sem medo de errar: “Achei maneiro”.


No jardim do museu, o escultor Edgard Souza expõe a representação de um auto…auto…ah, deixa pra lá.


tags:                 

3


 

(3)

  1. Bruna disse dia 10/03/2011 às 22:55

    Bom, essa entre pernas, segundo os tempos da vovó, é chamando um irmãozinho! rs

  2. luciano correia da silva disse dia 11/03/2011 às 20:35

    puxa é uma pena quando não temos informações suficiente. ja cai nesta tambem e achei uma pena.

  3. VERA LUCIA disse dia 14/03/2011 às 21:19

    é triste alguém ver uma foto de obra de arte e compara-la a um dizer dos tempos da vovó…

Envie seu comentário:

Atenção: Não serão aceitos comentários que façam referência a outras marcas, apresentem conteúdo ofensivo ou estejam acompanhados de links. Para saber mais sobre nossa política de uso, clique aqui.

  Dado obrigatório

  Dado obrigatório